África defende maior integração com A.Latina para enfrentar crise

Dacar, 13 mai (EFE).- A África deve buscar uma saída para a crise econômica mundial na integração e na cooperação com a América Latina e a Ásia, afirmou hoje o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, na abertura da 44ª Assembleia do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e o Fundo Africano de Desenvolvimento (FAD) em Dacar.

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Wade presidiu hoje a abertura da Assembleia, na qual esteve presente o presidente da Comissão da União Africana (UA), Jean Ping, assim como outros líderes africanos, entre os 1.500 delegados presentes.

No discurso de abertura, o presidente senegalês pediu unidade ao continente para enfrentar uma crise "nascida de fora e que poderia ter consequências muito graves para nosso futuro".

"A atual crise financeira é uma doença dos ricos que pode contagiar os pobres", disse Wade, que lembrou que a atual situação começou nos Estados Unidos, como consequência de "um jogo" que levou a um aumento desproporcional dos preços do petróleo e à especulação imobiliária com as hipotecas "subprime", de baixa liquidez.

Essa combinação gerou também uma alta dos preços dos produtos agrícolas e, com isso, o aumento da pobreza dos mais pobres, alegou Wade.

"Somos as vítimas", afirmou o presidente senegalês, que denunciou o sistema econômico internacional, que permite aos países ricos dar subsídios aos agricultores, enquanto o Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) proíbem as nações pobres de adotar medidas para combater esse protecionismo.

Wade afirmou que o continente africano deve participar do Governo mundial para mudar as regras do jogo atual, para o que é necessário que que as nações se unam em uma só entidade: os Estados Unidos da África.

Um possível aumento da cooperação entre África, Ásia e América Latina também é uma via para amenizar os efeitos da crise, segundo Wade, que lamentou que a Europa tenha se fechado em si mesma.

O presidente da Comissão da UA, por sua vez, criticou o fato de os traficantes de drogas sul-americanos usarem países africanos como rota de passagem dos entorpecentes destinados à Europa, o que disse que "ameaça a paz do continente", e pediu aos Governos europeus mais envolvimento para acabar com esta situação. EFE st/db

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