África cobra promessas dos países ricos, apesar da crise global

Por Gordon Bell CIDADE DO CABO (Reuters) - Os países ricos precisam cumprir as promessas de incentivar o desenvolvimento dos países pobres e devem evitar o protecionismo ao lidar com a crise financeira global, disseram autoridades africanas da área econômica na sexta- feira.

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Instituições multilaterais de empréstimo também deveriam ser mais justas no tratamento aos governos mais pobres que tentam aumentar os gastos para impulsionar o crescimento.

O presidente do Banco para o Desenvolvimento Africano, Donald Kaberuka, disse a repórteres que o continente espera que o mundo desenvolvido, onde começou a atual crise financeira, faça tudo o que puder para estimular o crescimento mundial.

Isso não significa, porém, que se deva renegar as promessas feitas aos países pobres.

"Queremos ver respeitados os comprometimentos feitos antes da crise; sobre o comércio, sobre a assistência oficial ao desenvolvimento, sobre mudança climática, sobre a voz dos países africanos no discurso internacional", disse ele em um encontro de ministros das Finanças africanos para discutir a crise.

"Se a voz da África for ouvida, seremos capazes de procurar por soluções."

O crescimento no continente foi fortemente atingido pela crise financeira que levou muitas economias desenvolvidas à recessão. O fluxo de capital para a África está minguando, enquanto mercados de crédito mais restritos e altas taxas de juros sobre empréstimos colocam projetos de desenvolvimento sob risco.

O ministro das Finanças da África do Sul, Trevor Manuel, disse que os países ricos do G-8 já estão atrasados com suas promessas para assistência.

Políticas protecionistas impostas pelo mundo desenvolvido e o enfoque em questões internas poderão levar mais pobreza para a África.

"Se houver um tipo de recolhimento para dentro de si e o restante do mundo não importar, e o enfoque se voltar exclusivamente para as questões domésticas deles, então certamente a África será deixada ainda mais para trás", disse ele.

Credores internacionais, incluindo o Fundo Monetário Internacional, não permitem que os países africanos façam o mesmo.

"Isso (o protecionismo) é o valor do mundo rico, isso não é o valor da África, isso não é um recurso do qual dispomos. Teríamos de brigar caso tentássemos colocar medidas protecionistas", disse ele.

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