África apoia fundo climático de US$100 bi anuais até 2020

Por Gerard Wynn COPENHAGUE (Reuters) - Os países africanos suavizaram nesta quarta-feira seus pedidos de recursos das nações ricas na questão climática, uma mudança que pode remover um obstáculo central nas negociações em Copenhague.

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"Sei que minha proposta de hoje vai desapontar alguns africanos", disse o premiê etíope, Meles Zenawi, falando em nome das nações da África. "Minha proposta reduz nossa expectativa em relação aos recursos em troca de fundos mais garantidos".

Falando na conferência da ONU, cujo objetivo é a definição de um novo pacto global sobre o clima, Zenawi expressou apoio à aplicação anual de 100 bilhões de dólares até 2020, custeada pelas nações ricas, para ajudar o mundo em desenvolvimento a combater as mudanças climáticas.

Ele também apoiou o investimento de 10 bilhões de dólares por ano, em recursos de curso prazo, de 2010 a 2012, seguindo exatamente sugestões dos Estados Unidos e União Europeia.

Negociadores chineses disseram que não poderiam comentar diretamente os números, mas expressaram apoio à posição das nações africanas.

"A China sempre deu apoio à posição de força e reivindicações justas na questão financeira por parte das nações em desenvolvimento", disse o embaixador para mudanças climáticas, Yu Qingtai.

A China já deixou claro que não espera ser a primeira na lista de recursos destinados pelo mundo desenvolvido. Os comentários de Yu indicam que o governo chinês não se colocará no caminho de um acordo que tenha o apoio da maioria do mundo em desenvolvimento.

A União Europeia havia proposto que os recursos das nações ricas fossem de cerca de 150 bilhões de dólares até 2020. O premiê britânico, Gordon Brown, havia falado em 100 bilhões de dólares.

O chefe da delegação dos Estados Unidos, Todd Stern, não quis fazer comentários sobre a proposta africana. "Eu soube que há uma (proposta sobre os recursos), mas ainda não vi o detalhes, por isso teremos interesse em examiná-la".

Zenawi afirmou que os recursos para ajudar o mundo em desenvolvimento a se preparar para as mudanças climáticas e conter emissões de carbono deveriam começar a fluir até 2013, chegando "a 50 bilhões de dólares por ano até 2015 e 100 bilhões de dólares por ano até 2020".

"Nada menos do que 50 por cento deveriam ser destinados a adaptações de países e regiões pobres e vulneráveis, como nações africanas e pequenos Estados insulares".

A agência católica de desenvolvimento Cafod considerou que Zenawi foi longe demais na sua concessão.

"Nesta etapa final de negociações, a apresentação deste número pela África é algo desapontador, para dizer o mínimo", afirmou Liz Gallagher, especialista da Cafod em financiamento para o clima, acrescentando que o grupo da África havia reivindicado no começo desta semana 400 bilhões de dólares por ano.

Nações ricas poderiam levantar os recursos por meio de uma ampla gama de mecanismos, incluindo impostos sobre cargas e sobre combustível de jatos ou pela venda de direitos de emissão, disse Zenawi -- dando a entender que a África não iria insistir em dinheiro público.

Países em desenvolvimento vinham enfatizando até agora que os recursos deveriam vir de fontes públicas, algo que as nações industrializadas, afetadas pela recessão, rejeitam, alegando que somente o setor privado pode obter as somas requeridas.

(Reportagem de Gerard Wynn e Emma Graham-Harrison)

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