Afegãos protestam contra queima do Alcorão pelo quarto dia

Oito morrem no Afeganistão; protestos contra profanação do livro sagrado em base dos EUA se espalham por mundo muçulmano

iG São Paulo |

Afegãos foram às ruas protestar pelo quarto dia consecutivo contra a queima de exemplares do Alcorão em uma base americana no Afeganistão. Multidões na capital, Cabul, se dirigiram ao centro da cidade, enquanto outras manifestações foram registradas na região norte do país.

Reuters
Manifestantes afegãos gritam slogans antiamericanos em Cabul durante protesto pela queima do Alcorão em base dos EUA
Nesta sexta-feira, ao menos oito morreram nos protestos, sendo sete na Província de Herat, no leste do país, e uma no distrito de Pul-e-Khumri, na Província de Baghlan. As mortes elevam para ao menos 20, incluindo dois soldados americanos, o número de vítimas nos incidentes iniciados na terça-feira.

Envio de carta: Obama pede desculpas por queima do Alcorão em base dos EUA

O pedido de desculpas por parte do presidente americano Barack Obama não conseguiu acalmar o povo afegão, ultrajado pelo incidente, e há protestos em outras partes do mundo muçulmano. A coalizão militar liderada pelos EUA afirmou que os exemplares do Alcorão e outros textos islâmicos foram queimados por engano.

Em carta enderaçada ao presidente afegão Hamid Karzai, Obama expressou "profundo pesar" e garantiu que as autoridades americanas investigariam e interrogariam todos os responsáveis envolvidos. Os muçulmanos consideram o Alcorão a palavra de Deus concreta e tratam cada exemplar com profundo respeito e reverência.

De acordo com a polícia, diversos protestos foram registrados nesta sexta-feira. Segundo a BBC, cinco grupos separados se dirigiram a diferentes locais em Cabul, incluindo as sedes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e da embaixada dos EUA. Cerca de 300 civis, incluindo crianças, carregavam bastões de madeira e pedras a caminho do centro de treinamento militar.

Em Baghlan, onde 1 mil civis estão nas ruas, houve registros de tiroteios e violência, enquanto em Ghazni, 600 manifestantes se reuniram ao lado de fora do gabinete do governo estadual gritando "morte a Obama". Mais de 300 manifestantes protestam na Província de Kunduz, enquanto outras centenas bloquearam uma estrada em Nangarhar.

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Tropas alemãs também se dirigem de bases menores na Província de Takhar para a Província de Kunduz por conta dos protestos. Na quinta-feira, Karzai afirmou aos membros do Parlamento afegão que os EUA eram responsáveis pela queima dos livros sagrados, mas disse que isso foi feito por "ignorância".

A milícia islâmica do Taleban disse aos afegãos que atacassem as "forças invasoras" em vingança pelo "insulto" ao Alcorão. Em comunicado, um porta-voz do grupo militante disse que os afegãos não parassem de protestar e que "ensinassem uma lição (aos militares estrangeiros) para que eles nunca mais ousassem insultar o Sagrado Alcorão".

No ano passado, ao menos 24 foram mortos em protestos pelo Afeganistão depois que um pastor americano queimou um Alcorão na Flórida.

Com AP

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