Afegãos orgulhosos de votar desafiam a violência talibã

Ao sair da seção eleitoral no centro de Cabul, Ramin, um dos primeiros afegãos a votar nesta quinta-feira, levantou o dedo manchado de tinta e declarou orgulhoso: Votei.

AFP |

"Estou orgulhoso do meu dedo", declarou à AFP este guarda de segurança de 27 anos. "É o símbolo de um grande dia para o Afeganistão", completa.

"Eu não dou a mínima para os talibãs e suas ameaças. Quem eles pensam que são? Temos um governo, polícia, Exército, infraestruturas de um Estado funcional. Os talibãs só fazem falar", afirma.

Ramin era um das 20 pessoas que começaram a formar uma fila diante da escola Abdul Hadi Dawi antes das 7H00 locais para votar, apesar dos temores de ataques dos insurgentes talibãs.

Perto dele, Omar afirma que queria usar seu voto para dar ao país empobrecido e corrupto uma liderança honesta.

"Eu quero alguém que seja forte, que trabalhe pelo desenvolvimento da economia, construa estradas e escolas, faça da educação uma prioridade, aniquile a corrupção", declarou o eleitor de 60 anos, que como muitos afegãos usa apenas um nome.

Com a abertura das portas pontualmente às 7H00, a fila avançou lentamente e os eleitores passaram pela revista dos segurança, antes de abrir caminho pelas salas separadas distribuídas como seções eleitorais para homens e mulheres.

Babi Haji, 44 anos, esperava pacientemente na porta de uma sala de votação. Ele conheceu no corpo os horrores da repressão e dos anos de guerra civil que pareceram intermináveis até a invasão de 2001 liderada pelos Estados Unidos que derrubou os talibãs.

"Perdi um braço há 11 anos quando o carro em que estava passou por uma mina", afirma.

"Agora quero que meus filhos estejam bem alimentados e a salvo. Por isso vim escolher um presidente que dê a todos nós um futuro seguro".

Sur Gul, zelador de escola, com um turbante verde escuro, agarra o cartão eleitoral e mostra com orgulho o furo da último vez que votou para presidente, em 2004.

"Estava impaciente para votar pela segunda vez", disse.

As votações começaram lentamente, mas de forma regular, em comparação com as longas filas antes da abertura das seções eleitorais em 2004.

Um total de 17 milhões de afegãos se registraram para votar nas eleições presidenciais e para escolher 420 vereadores de 34 provincias em um país principalmente rural.

Através do país, os afegãos pareciam determinados a desafiar a prolongada campanha de violência dos talibãs contra as eleições.

Em Kandahar, um dos redutos talibãs - e capital do regime extremista durante seu governo de 1996 a 2001 -, os eleitores enfrentaram filas com paciência.

"Há problemas em Kandahar, mas mesmo assim vou votar", disse Mohamad Nisar, 40 anos.

"Voto por um bom futuro", completou.

Na província oriental de Nangahar, Abdul Aziz, 80 anos, disse que votaria no candidato que para ele pode fazer um governo limpo.

"Voto contra a corrupção", declarou, sem revelar sua opção.

"Fico muito feliz de poder votar nesta idade. Estou feliz de estar vivo e de votar de novo".

lod/fp

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