Afirmação é feita antes de cúpula da Otan, que deve estipular 2014 como ano em que Cabul retomará controle de segurança do país

O presidente americano, Barack Obama, prometeu nesta sexta-feira que os afegãos não ficarão sozinhos após assumir a responsabilidade pela segurança do país - atualmente sob o comando das tropas estrangeiras -, o que deve ocorrer em 2014.

"Finalmente temos a estratégia e os recursos para combater eficazmente a milícia islâmica do Taleban, treinar mais as forças de segurança afegãs e ajudar a população", escreveu Obama em um artigo publicado no jornal português Publico antes da abertura da reunião de cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em Lisboa.

Presidentes dos EUA, Barack Obama (à dir.), e de Portugal, Anibal Antonio Cavaco Silva, caminham em meio à Guarda de Honra em cerimônia da cúpula da Otan em Lisboa
AFP
Presidentes dos EUA, Barack Obama (à dir.), e de Portugal, Anibal Antonio Cavaco Silva, caminham em meio à Guarda de Honra em cerimônia da cúpula da Otan em Lisboa
"Na reunião de Lisboa, vamos harmonizar nossa política de forma que possamos iniciar a transição no início do próximo ano e adotar a meta do presidente (afegão Hamid) Karzai de que as forças afegãs assumam o controle da segurança no Afeganistão no fim de 2014", completou.

Apesar da redução de tropas começar em julho do próximo ano, Obama fez questão de explicar que, quando "os afegãos assumirem o controle, não ficarão sozinhos".

Os líderes da Otan se reúnem a partir desta sexta-feira em Lisboa, para um encontro de cúpula de dois dias no qual pretendem adotar principalmente uma estratégia de saída progressiva do Afeganistão, onde há atualmente 140 mil soldados estrangeiros.

Obama e os aliados da Aliança Atlântica devem adotar no sábado um plano de três anos para o início da transferência do controle da segurança aos afegãos a partir de 2011, uma década após o início da guerra contra o Taleban, que já matou 2,2 mil militares estrangeiros.

Os EUA programam o início da retirada de seu contingente, majoritário entre as tropas internacionais, para julho de 2011, enquanto países como França e Alemanha esperam iniciar a saída o mais rápido possível.

Rússia e Otan

Em seu artigo no jornal Público, Obama também defendeu a necessidade de a Otan começar do zero sua relação com a Rússia, da mesma maneira que seu país já fez para fortalecer a cooperação bilateral. Segundo o líder dos EUA, a cúpula em Lisboa é uma oportunidade para que a Aliança e Moscou revejam suas relações e se tratem "como parceiros e não como adversários".

Além de discutir o Afeganistão, a cúpula da Otan deve aprovar a criação de um sistema de defesa antimísseis na Europa - que a Rússia, inimiga da Otan durante a Guerra Fria, será convidada a integrar. O projeto, avaliado em 200 milhões de euros, pretende conectar os sistemas antimísseis europeus e americanos no Velho Continente e ampliar sua cobertura, atualmente limitada às tropas militares, ao território e à população civil europeia.

O secretário-geral da Otan, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, defendeu nesta sexta-feira a cooperação da Rússia em uma política de defesa antimísseis que possa criar "uma arquitetura de segurança comum na Europa", que "melhorará o ambiente de segurança no continente e em toda a região Atlântica".

Segundo fontes da organização, "não se pretende criar um sistema único, mas ver como é possível compatibilizar" o sistema aliado e o da Rússia.

A Otan e Rússia também farão um pacto para estreitar a cooperação em vários âmbitos relacionados ao Afeganistão, um dos quais será expandir o acordo de passagem de materiais através de território russo, que poderá incluir veículos blindados, embora deva continuar excluindo o trânsito de armas e munição.

Após a longa etapa de aberta rivalidade durante o período da Guerra Fria, a Otan e a Rússia aproximaram-se na década de 1990 e em 2002 iniciaram um Conselho conjunto, que desde então viveu altos e baixos e momentos de confronto, como o registrado no verão de 2008, durante a Guerra da Geórgia.

*Com AFP e EFE

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