Afegãos contam com ajuda de cães para desarmar minas terrestres

Naweed Haidary Cabul, 30 jul (EFE).- Os cachorros estão começando a ganhar o carinho dos afegãos, que nunca os tiveram em grande estima, graças à contribuição dos caninos adestrados à remoção de minas que, a cada dia, matam pelo menos duas pessoas.

EFE |

Após décadas de guerra, todos os meses ainda morrem no país 62 pessoas - metade delas crianças- devido às explosões de artefatos velhos, segundo dados do Centro de Ação da ONU contra as Minas no Afeganistão (UNMACA), que desde 1989 se dedica à remoção de explosivos.

Nesse trabalho, os cachorros demonstraram ser grandes aliados no esforço feito pelos 8.500 afegãos que trabalham no Programa de Ação Contra as Minas no Afeganistão (MAPA), e que ainda têm uma enorme tarefa pela frente em um dos países com mais minas e restos de explosivos do mundo.

Os cachorros não só cobrem um território seis vezes mais depressa do que os humanos, mas também são capazes de farejar minas enterradas a 13 centímetros sob o solo ou de localizar artefatos em plástico imunes aos detectores de metais.

"Uma das coisas boas desse tipo de cachorro é a sua velocidade.

Comparando um cachorro com um humano ou uma máquina, o cão é várias vezes mais rápido, mais barato e mais eficiente", disse à Agência Efe orgulhoso Zaenuddin, o chefe de treinadores do Centro canino de Detecção de Minas (MDC) no Afeganistão.

"Quando farejam os explosivos, avisam se sentando e olhando o seu treinador. E, então, outros desmanteladores humanos limpam a área usando uma pequena ferramenta de escavação em um ângulo de 45 graus para impedir que a mina exploda", explicou.

O MDC foi criado em 1989 com uma equipe de 14 pessoas e cachorros doados pela Tailândia e treinados por um americano.

Mas o centro passou a comprar pastores alemães já treinados por um preço de US$ 12 a US$ 14 mil e os criava no Afeganistão, onde nascem anualmente entre 50 e 60 filhotes.

Agora, "temos 165 cachorros preparados para operar e outros 117 em período de treino", informou Zaenuddin.

Antes de exercer a função de cachorro que desarma minas, o animal é submetido a um processo de formação de um ano e meio, incluindo a passagem por um centro de socialização e meses de treino com bola, segundo disse à Efe o gerente do MDC, Ahmad Javid Azimi.

Uma vez reconhecida sua aptidão, "leva dois meses para treinar um cachorro para que aprenda a reconhecer o cheiro do explosivo" e outros dois para acostumá-lo ao seu companheiro humano, com o qual compartilhará licença de trabalho durante um ano, prosseguiu.

Um cão desmantelador de minas trabalha por oito anos antes de sua aposentadoria e de adquirir um novo papel como animal de estimação.

"Quando o povo vê o nosso serviço, nos respeita. Porque sabe que os cachorros estão servindo a eles, que podem salvar suas vidas. Os cachorros são heróis", declarou Zaenuddin.

No mundo todo, estes cachorros treinados ajudam os demanteladores humanos a detectarem e desativarem milhões de minas terrestres, que causam a morte de 15 a 20 mil pessoas por ano em países como Angola, Bósnia, Camboja, Croácia e Moçambique.

No Afeganistão, não falta trabalho para os desmanteladores: desde 1989, o MAPA limpou mais de 1,3 bilhão de metros quadrados de terreno e destruiu mais de 300 mil minas antipessoal, aproximadamente 18 mil minas antitanque e sete milhões de ERW (restos de explosivos de guerra).

Apesar desses esforços, o Afeganistão continua sendo um dos países mais afetados pelas minas, com quatro milhões de afegãos (15% da população) vivendo ainda em áreas de risco.

Falta limpar 700 milhões de metros quadrados de terreno, tarefa que o Afeganistão, que em 2002 se uniu ao tratado que proíbe as minas antipessoal, se comprometeu a completar até 2013. EFE nh/bm/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG