Afegãos choram os mortos em ataque da Otan

Os afegãos choram neste sábado os mortos no bombardeio da Otan de sexta-feira, que provocou um número recorde de vítimas e reavivou os protestos pelas mortes de civis causadas pelas forças ocidentais em seus oito anos de guerra contra os talibãs.

AFP |

Os bombardeios destruíram dois caminhões-tanque que haviam sido roubados pelos talibãs no momento em que, segundo testemunhas, um grupo de moradores avançou em direção aos veículos para retirar combustível de modo gratuito a convite dos insurgentes.

As autoridades afirmaram que a maioria dos mortos eram talibãs, mas o presidente afegão Hamid Karzai - que lidera os resultados parciais de uma eleição presidencial denunciadas como fraudulenta - afirmou que tomar como alvo a população civil era inaceitável.

O governo calculou em 90 o número de mortos e feridos.

Neste sábado foram celebradas orações pelas vítimas em uma dezena de povoados, onde moravam os mortos na província de Kunduz, norte do país, que registra um clima extremamente tenso.

Funcionários dos ministérios da Defesa e do Interior iniciaram investigações a pedido de Karzai, mas até o momento não foi possível sequer estimar com certeza o total de mortos e quantos eram civis.

O chefe de polícia da região, Abdul Razaq Yaqobi, afirmou que 56 pessoas morreram e 12 ficaram feridas e que todas eram talibãs.

Mahbula Sayedi, porta-voz do governo en Kunduz, anunciou o número mais elevado de vítimas, ao afirmar que 90 pessoas morreram, em sua maioria talibãs.

A insurgência, que com frequência exagera suas revindicações como parte da propaganda, afirmou que 150 civis morreram, a maioria crianças, e ao mesmo tempo destaca em um comunicado que nenhum talibã foi vitimado no ataque, que evidenciou ainda o aumento da presença dos insurgentes no norte do país.

Os Estados Unidos se declararam muito preocupados com a possibilidade da morte de civis no bombardeio da Otan. O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que o episódio será investigado .

A Força Internacional de Assistência e Segurança (Isaf) da Otan afirmou ter bombardeado dois caminhões-tanque roubados e destacou a morte de um grande número de insurgentes, ao mesmo tempo que lamentou a eventual morte de civis.

Os governos europeus também manifestaram preocupação e indgnação com o ataque, já que o ataque pode minar as possibilidades de êxito da missão dos 64.500 soldados de mais de 40 países da Otan que combatem os talibãs.

A exceção ficou por conta da Alemanha, que defendeu o ataque, ordenado por um de seus oficiais.

Apenas cuatro dias antes do ataque, o comandante dos Estados Unidos e da Otan no Afeganistão, o general Stanley McChrystal, pediu uma nova estratégia no país para reverter a "grave situação".

jm-lod/fp

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