Afeganistão: Washington pede ajuda a aliados e Karzai estende a mão a talibãs

Americanos e britânicos lançaram um novo apelo neste domingo a seus aliados para que aumentem seus esforços com relação ao Afeganistão, num conflito considerado muito mais duro do que no Iraque, enquanto o presidente afegão, Hamid Karzaï, estendia a mão aos talibãs.

AFP |

"Seria uma negligência de minha parte se eu não lançasse um apelo aos outros países para que aumentem seus esforços", afirmou o general David Petraeus, chefe das operações americanas no Afeganistão e no Iraque, na Conferência sobre a Segurança de Munique.

"Precisamos de forças afegãs para garantir a segurança e precisamos de mais apoio para atingir nossos objetivos", disse, reconhecendo que a situação de segurança piorou nos últimos anos no Afeganistão.

Além dos reforços, o general Petraeus listou o que está faltando: dispositivos de reconhecimento, polícia militar, helicópteros, instrutores para o exército e a polícia afegãos.

"Acabar com a insegurança no Afeganistão não será simples nem barato, será uma luta difícil e longa", avisou, em uníssono com as declarações alarmistas de Richard Holbrooke, o enviado especial dos EUA para o Afeganistão e o Paquistão.

Para este último, o conflito no Afeganistão será muito mais duro do que no Iraque.

"Nunca vi algo que parecesse com a desordem que herdamos no Afeganistão", destacou este diplomata, atífice do acordo de paz de Dayton que acabou com a guerra na ex-Iugoslávia em 1995.

"Não se parece com nenhum dos problemas que já enfrentamos e, do meu ponto de vista, será muito mais duro do que o Iraque", continuou.

O Pentágono, que conta com 36.000 soldados no Afeganistão -dos 70.000 no total da Força Internacional sob Comando da Otan e a coalizão sob direção americana, espera enviar até 30.000 outros nos próximos 12 ou 18 meses.

"Unidades combatentes, esta é a mais preciosa contribuição que podemos ter hoje", disse o ministro britânico da Defesa, John Hutton, cujo país é o segundo contribuinte da Otan no Afeganistão com 8.300 soldados.

"Os aliados estão enganados se pensam que outras contribuições têm a mesma importância que fornecer tropas", destacou Hutton.

O apelo americano e britânico enfrentam no entanto fortes reticências.

A França repetiu nas últimas semanas que não tem nenhuma possibilidade de reforçar os 2.800 soldados que tem no Afeganistão.

"Precisamos dizer que, do ponto de vista militar, esta missão é suficiente, é a reconstrução civil que é importante no Afeganistão", reforçou o ministro alemão da Defesa, Franz-Josef Jung.

Já em campanha para a eleição presidencial de 20 de agosto, Hamid Karzaï, acusado publicamente pelo secretário geral da Otan Jaap de Hoop Scheffer de fracassar na luta contra a droga e a corrupção, desenhou um quadro lisonjeiro de sua ação, após quase sete anos no poder.

Mas ele estendeu, principalmente, a mão, sob condições, ao inimigo talibãs. "Vamos lançar um apelo, convidar os talibãs que não fazem mais parte da Al-Qaeda e de redes terroristas e querem voltar ao país, e querem respeitar a constituição e desejam a paz, a voltar,", anunciou.

ha/lm

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