Afeganistão teve sua 2a maior safra de ópio em 2008, diz ONU

Por Peter Griffiths LONDRES (Reuters) - A produção de ópio no Afeganistão diminuiu em 2008 graças aos esforços internacionais para a substituição de cultivos, mas ainda assim foi a segunda maior já registrada, disse o Escritório Internacional de Controle de Narcóticos, uma agência da ONU, em seu relatório anual.

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Embora a área cultivada com papoula (matéria-prima do ópio) tenha diminuído cerca de 20 por cento, a produtividade por hectare aumentou. Por isso, a produção total caiu apenas 6 por cento, atingindo 7,7 mil toneladas, depois do recorde de 8,2 mil toneladas em 2007, disse o relatório.

Mais de sete anos depois da invasão norte-americana, o Afeganistão ainda cultiva mais de 90 por cento da papoula ilegal do mundo. A planta é também matéria-prima da heroína.

Em 2008, outras 5 das 34 províncias afegãs eliminaram o cultivo de ópio -- agora são 18 livres do problema. A produção se concentra em sete províncias no sul do país, onde há intensos combates entre as forças ocidentais e a milícia islâmica Taliban.

"A insegurança e a produção e tráfico de drogas (...) estão muito inter-relacionadas", disse o chefe da agência da ONU, Hamid Ghodse, em entrevista coletiva em Londres. "É dificílimo dizer qual é a causa e qual é o efeito."

O relatório diz que a falta de segurança e a corrupção são os maiores obstáculos à luta contra as drogas no Afeganistão.

O Taliban ganha de 200 a 300 milhões de dólares por ano cobrando "pedágio" sobre o tráfico, disse o texto, citando cifras do departamento da ONU voltado para o combate às drogas e à criminalidade.

As forças da Otan no Afeganistão não têm autorização para erradicar cultivos de papoula, mas os países da aliança decidiram em outubro permitir que seus soldados realizem ataques diretos contra traficantes afegãos e seus laboratórios.

As autoridades locais fazem vista grossa ao tráfico, e quem tenta combatê-lo corre risco, segundo o relatório. No ano passado, 78 autoridades que tentavam erradicar lavouras de ópio foram mortos, seis vezes mais que em 2007.

"A corrupção entre as autoridades em quase todos os níveis de governo é um grande fator do problema da droga", disse Ghodse.

O relatório diz ainda que o governo afegão está ignorando um preocupante aumento na produção de maconha, que estaria cada vez mais lucrativa. "Nenhuma ação foi tomada pelo governo para evitar tal cultivo", disse o texto.

O relatório da ONU sugere que a comunidade internacional dê mais ajuda prática e financeira ao governo afegão para o combate às drogas. Além disso, diz o texto, a substituição de cultivos precisa vir acompanhada de melhorias na saúde, na educação e na infraestrutura.

O relatório, em inglês, está disponível no endereço www.incb.org/incb/annual_report.html

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