CABUL - A missão de observadores eleitorais da União Europeia (UE) no Afeganistão avaliou nesta quarta-feira em 1,5 milhão os votos nas eleições presidenciais de 20 de agosto suspeitos de serem fraudulentos, 1,1 milhão deles favoráveis ao atual presidente, Hamid Karzai.

"Calculamos, até agora, 1,5 milhão de votos suspeitos" de fraude, disse, em comunicado, a chefe adjunta da missão de observadores europeus, Dimitra Ioannou.

Entre eles, 1,1 milhão foram emitidos a favor da candidatura de Karzai, 300 mil para a do ex-ministro de Exteriores Abdullah Abdullah e 92 mil para o candidato de etnia hazara Ramazan Bashardost.

Estes dois últimos candidatos denunciaram várias vezes, durante o processo eleitoral, uma fraude generalizada para que Karzai vencesse no primeiro turno, algo para o que precisa de 50% dos votos.

A missão de observadores disse ter encontrado 2,451 mil colégios nos quais 90% dos votos eram a favor de um mesmo candidato, dados correspondentes à apuração de 6 de setembro, que inclui 18,877 mil centros de votação computados.

Também encontrou um grande número de colégios nos quais a participação supera o limite previsto, por isso os considerou suspeitos de fraude.

A missão europeia expressou seu apoio à Comissão de Queixas, órgão que tinha ordenado à Comissão Eleitoral, encarregada da apuração, realizar uma nova apuração praticamente em 10% dos colégios afegãos.

Os observadores fizeram uma chamada à Comissão Eleitoral para que, durante a apuração, tome "todas as ações necessárias", de acordo com a lei eleitoral.

Segundo a Comissão de Queixas, as cédulas emitidas em 2,5 mil dos 26 mil centros de votação que abriram suas portas no dia das eleições são "suspeitas" de fraude.

A última apuração divulgada pela Comissão Eleitoral, com dados de 92,8% dos colégios, dá a Karzai 54,27% dos votos, uma porcentagem suficiente para ser proclamado presidente sem necessidade de segundo turno.

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