Milhares de toneladas de ópio produzidas no Afeganistão estão armazenadas no território, sem que se saiba por que, ou por quem, declarou nesta quinta-feira, em Paris, o diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), Antonio Maria Costa.

"Milhares de toneladas de ópio, de uma produção estimada em 7.700 toneladas, estão armazenadas", disse Costa, um dia depois de ir à Assembléia Nacional francesa.

"Mobilizamos os serviços de inteligência do mundo inteiro para saber o que está acontecendo, mas não tivemos resposta", assegurou o responsável da UNODC.

Apesar de uma produção muito superior à demanda, os preços não caíram mais do que 20%, disse Costa, em um artigo que será publicado na edição de sexta-feira do jornal francês Le Monde.

"Grandes quantidades de ópio, heroína e morfina foram retiradas do mercado, em parte pelos talibãs", acrescentou o funcionário da ONU.

"Nos próximos meses, poderemos sofrer um revés nessa situação, caso os talibãs declarem uma moratória no cultivo do ópio nas zonas que controlam. Já o fizeram em 2001 com eficiência", indicou Costa.

"Então, graças aos estoques, os talibãs se aproveitaram da alta dos preços, que multiplicaram por vinte", lembrou.

O diretor-executivo da UNODC também pediu à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que participe da luta contra a droga no Afeganistão e lamentou, sem nomeá-los, a reticência dos países europeus em se envolver nesse combate.

Costa expressou seu desejo de ver as forças da Aliança Atlântica bombardeando os laboratórios, onde mais de 60% do ópio afegão se transforma em heroína, ou morfina, antes de ser exportado.

A Otan deveria "atacar a cadeia de fornecimento", mirando os mercados, os comboios de drogas e a importação de produtos químicos necessários para a transformação do ópio, insistiu Costa.

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