Afeganistão recebe promessa de 10 bilhões de dólares para reconstrução

O Afeganistão obteve nesta quinta-feira da comunidade internacional, reunida em Paris, a promessa de que terá 10 bilhões de dólares como ajuda à reconstrução e recebeu também um voto de confiança para que combata a corrupção.

AFP |

Na presença do presidente francês Nicolas Sarkozy, do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon e do presidente afegão Hamid Karzai, representantes de 68 países e 17 organizações internacionais participaram nesta quinta-feira de uma conferência de doadores que contribuem para a reconstrução do Afeganistão.

Passados sete anos desde a queda do regime dos talibãs, 70.000 soldados estrangeiros continuam enfrentando membros deste grupo fundamentalista. O presidente Karzai destacou que a segurança se mantém como "o maior desafio" para seu país.

Nesse contexto, o mandatário afegão apresentou um plano de 50,1 bilhões de dólares para estabelecer a segurança, assim como para desenvolver a infra-estrutura, a educação e a agricultura.

Karzai mencionou as tensões cotidianas com os insurgentes talibãs, afirmando: "temos que enfrentá-los de maneira decisiva", pondo fim à necessidade de se acelerar a formação de policiais e dos mais de 50.000 homens do Exército.

Karzai também se referiu indiretamente a seu vizinho Paquistão, a partir de onde os insurgentes lançam ataques contra o Afeganistão, e há alguns meses, também contra o próprio território paquistanês.

Laura Bush, esposa do presidente norte-americano George W. Bush confirmou oficialmente a ajuda de 10,2 bilhões de dólares, anunciada na véspera pela secretária de Estado Condoleezza Rice.

Esse valor, caso seja aprovado pelo Congresso norte-americano, será adicionado aos 26 bilhões de ajuda humanitária que os Estados Unidos fornecem desde 2001.

O presidente francês Nicolas Sarkozy anunciou que a França duplicará sua ajuda ao Afeganistão, ou seja, um compromisso de "107 milhões de euros para o período 2008-2010", ajuda que será "dedicada sobretudo à agricultura e à saúde".

Sarkozy assegurou que "a França manterá sua presença no Afeganistão pelo tempo que for necessário para derrotar os islamitas talibãs que são a própria negação dos valores do Islã", disse.

Ainda nesta quinta-feira, o Japão deverá anunciar uma contribuição de 550 milhões de dólares e a Alemanha se comprometeu com outros 420 milhões de euros entre 2008 e 2010.

Toda a ajuda foi acompanhada de um apelo à luta contra a corrupção feito pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

"Peço ao governo afegão que tome medidas ativas" contra a corrupção, afirmou o secretário-geral da ONU. Pouco depois, seu representante especial no Afeganistão, Kai Eide, considerou que esse fator "mina a confiança no Estado de direito".

A conferência deverá estudar a maneira de coordenar a ajuda internacional para envolver mais os próprios afegãos e de administrar a luta contra a corrupção.

A reunião de Paris é realizada depois das de Tóquio em 2002, Berlim em 2004 e Londres em 2006, onde 10,5 bilhões de dólares já haviam sido prometidos.

Segundo um relatório da Agência de Coordenação de Ajuda ao Afeganistão do final de março, desde 2001, os países ocidentais forneceram apenas 15 dos 25 bilhões de dólares prometidos.

As ONGs criticaram a prioridade que os ocidentais dão à opção militar e pediram que tudo não fique apenas em promessas.

bur-cr/dm/fp

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