Afeganistão prende grupo por conspiração contra presidente

Um guarda-costas e outros cinco com vínculos com a rede Haqqani e a Al-Qaeda foram detidos por planejar matar Hamid Karzai

iG São Paulo |

EFE
Hamid Karzai durante discurso no palácio presidencial em Cabul (12/07)
A agência de inteligência do Afeganistão anunciou nesta quarta-feira que conseguiu desmantelar uma conspiração para o assassinato do presidente Hamid Karzai, prendendo um guarda-costas e outros cinco envolvidos com vínculos com a rede Haqqani e a Al-Qaeda.

Os conspiradores, que incluíam estudantes universitários e um professor de Medicina, foram treinados para lançar ataques em Cabul e tinham recrutado um dos guarda-costas de Karzai para matar o presidente, disse o Diretório Nacional de Segurança. "Um grupo perigoso e instruído, que incluía professores e estudantes, queria assassinar o presidente Hamid Karzai," disse em coletiva de imprensa o porta-voz Lutfullah Mashal. "Lamentavelmente, eles infiltraram o sistema de proteção do presidente e recrutaram um de seus guarda-costas."

Mashal disse que os detidos tinham vínculos com três homens, incluindo um egípcio e um bengalês, que eram membros da Al-Qaeda e da rede Haqqani, cuja base fica na região tribal paquistanesa de Waziristão do Norte, que faz fronteira com o Afeganistão. Os detidos fazem parte de um grupo "mais sofisticado" cujos integrantes confessaram ter sido treinados para usar armas de fogo, foguetes e ataques suicidas, segundo o porta-voz. Entre seus alvos estavam figuras do alto escalão do governo.

Eles disseram também que receberam US$ 150 mil para financiar suas atividades e que planejavam matar Karzai durante uma das viagens do presidente para fora da capital, disse Mashal.

Desde que se tornou líder afegão, em 2002, Karzai já foi alvo de pelo menos três atentados, mais notadamente em abril de 2008, quando insurgentes dispararam armas e foguetes contra uma parada militar à qual ele assistiu, perto do palácio presidencial em Cabul.

Mashal disse que o guarda-costas, Mohebullah Ahmadi, é do povoado natal de Karzai - Karz, na província de Kandahar - e que lhe foram mostrados vídeo de propaganda da Al-Qaeda e da Haqqani para persuadi-lo a participar da conspiração.

Os Haqqanis fazem parte de três facções insurgentes aliadas ao Taleban que combatem no Afeganistão - são possivelmente a mais temida. Acredita-se que tenham sido responsáveis por introduzir os atentados suicidas no país e que sejam autores de muitos ataques ousados.

Analistas ouvidos pela BBC acreditam que essas prisões podem ser vistas como parte de um plano para tirar o crédito do Paquistão. As relações entre os países estão tensas, devido às alegações por autoridades afegãs de que o serviço de espionagem paquistanês, o diretório de Inteligência Inter-Serviços (ISI) vem apoiando o Haqqani, o que é negado por Islamabad. Um ministro do Afeganistão chegou a declarar na semana passada que a agência estava por trás do assassinato do ex-presidente Burhanuddin Rabbani .

Forças lideradas pela Otan que combatem no Afeganistão anunciaram na quarta-feira que um ataque aéreo matou um comandante sênior da rede Haqqani e dois de seus associados na província oriental de Khost, perto da fronteira do Afeganistão. Dilawar, conhecido por apenas um nome, era o "subordinado principal" de Haji Mali Khan, capturado pela Otan na semana passada e descrito na época como o comandante em chefe da rede Haqqani no Afeganistão.

A morte de Dilawar representa "mais uma perda importante para o grupo insurgente," disse a Força Internacional de Assistência para a Segurança (Isaf), liderada pela Otan, em comunicado em que descreveu as atividades dele como incluindo a coordenação de ataques contra as forças afegãs e a organização de entregas de armamentos.

Com Reuters e BBC

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