Afeganistão: polícia investiga assassinato de médicos ocidentais

Até agora, só foram confirmadas as identidades de dois médicos; corpos foram encontrados na província montanhosa de Badakhshan

AFP |

Os corpos de oito médicos estrangeiros e dois afegãos encontrados numa remota região do nordeste do Afeganistão estão sendo esperados neste domingo em Cabul, ao mesmo tempo em que avançava a investigação para determinar quem os assassinou.

Até agora, só foram confirmadas as identidades de dois médicos: a britânica Karen Woo e o americano Tom Little.

Os corpos crivados de balas de cinco homens, todos americanos, e de três mulheres - uma americana, outras britânica e a terceira alemã - foram encontrados na província montanhosa de Badakhshan (nordeste), segundo o chefe de polícia da região. Dois homens afegãos morreram no mesmo ataque e um escapou com vida.

A equipe de médicos regressava de uma visita a uma comunidade da vizinha província de Nuristan quando foram atacados, informou Dirk Frans, diretor-executivo da Ong cristã International Assistance Mission (IAM), com sede em Cabul. Os oito ocidentais mortos trabalhavam como voluntários.

Segundo Frans, a embaixada americana iniciou os trâmites para trasladar os corpos a Cabul de helicóptero, para identificá-los formalmente.

Há várias versões sobre os fatos. Para a polícia local, poderia tratar-se de um roubo, enquanto que o diretor-executivo da IAM informa que um grupo rebelde que opera no norte do país, Hizb-e-Islami, havia assumido a responsabilidade.

Sábado, insurgentes do movimento talibã, com grande influência na província de Nuristan, também reivindicaram os assassinatos, descrevendo inicialmente os médicos como "missionários cristãos" e acusando-os de serem espiões militares.

"Toda a situação é muito confusa, pelo que esperaremos o resultado da investigação oficial", assinalou Frans à AFP.

Os médicos foram postos em fila e executados num denso bosque e todos os seus pertences foram roubadas, informou o chefe da polícia provincial, Aqa Noor Kintoz, citando o relato do único sobrevivente.

O guia do grupo, Saifullah, teria sido perdoado depois de recitar versículos do Alcorão no momento em que ia ser executado.

Saifullah está retido pela polícia na condição de testemunha; o diretor-ejecutivo da IAM o descreveu como um "trabalhador fiel" da ONG por quatro anos, assinalando que "não havia nenhuma suspeita" contra ele.

A organização humanitária cristã, que trabalha no Afeganistão há décadas, assinalou que seus médicos voluntários trabalham em ambulatórios oftalmológicos em Cabul, Herat, Mazar e Kandahar. A Ong, que só está no Afeganistão, diz que assiste a 250.000 pessoas por ano.

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