Afeganistão: mais de 90 civis mortos em bombardeio da coalizão

Mais de 90 civis foram mortos na sexta-feira, dia 22, no oeste do Afeganistão, num bombardeio da coalizão sob comando americano, segundo uma comissão de investigação presidencial, que comenta a falta de coordenação entre as forças americana e afegã.

AFP |

Os EUA manifestaram neste domingo seu pesar pela "perda de vidas inocentes entre os afegão que somos encarregados de proteger", sem no entanto confirmar o número de vítimas.

A tragédia aconteceu perto do vilarejo de Azizabad, no distrito isolado de Shindand, onde os insurgentes são muito presentes, a cerca de 130km de Herat, a grande cidade do oeste do país.

"Fomos ao local e constatamos que o bombardeio foi muito intenso, muitas casas foram destruídas e mais de 90 civis, a maioria mulheres e crianças, morreram", declarou à AFP Nematullah Shahrani, ministro dos Assuntos religiosos e presidente da comissão de investigação.

"Eu devo reencontrar hoje soldados americanos. Eles afirmam que os talibãs estão na região, mas eles devem provar isso. Eu tirei de minha missão que não há nenhuma coordenação entre as tropas afegãs e internacionais, apesar dos pedidos insistentes do presidente", lamentou.

"Bombardeios como este afastam a população do governo. As pessoas estão muito irritadas", explicou.

A região estava calma neste domingo, depois das manifestações de sábado durante as quais habitantes queimaram um carro de polícia e proclamaram a "Morte à América".

Mas o conselho dos ulemás (representantes religiosos muçulmanos) do oeste do Afeganistão condenou "os inimigos do Islâ que mergulham suas mãos no sangue dos inocentes" e convocou manifestações para terça-feira em Herat.

"A nação muçulmana não vai se satisfazer desta vez com suas desculpas, queremos que os responsáveis deste crime sejam julgados", escreveram em um comunicado.

Jornalistas que estava na região viram sábado várias casas destruídas, a maioria delas de funcionários de uma empresa privada encarregada da segurança do aeroporto de Shindand. Num cemitério vizinho, 20 novas covas foram abertas.

Ainda é impossível dar um balanço de fonte independente, mas se as 90 vítimas forem confirmadas, será o ataque mais sangrento das forças internacionais desde à retirada dos talibãs no fim de 2001.

O presidente Hamid Karzaï anunciou neste domingo o reenvio de dois oficiais do exército, por "negligência e retenção de informação sobre o ataque aéreo trágico e irresponsável que atingiu o vilarejo de Azizabad, no distrito de Shindand", num comunicado.

Num primeiro momento, o ministério afegão da Defesa divulgou a morte de cinco civis e 25 talibãs.

"A tragédia é muito mais grave que pensamos inicialmente", reconheceu neste domingo o general Mohammad Zaher Azimi, porta-voz do ministério da Defesa.

A coalizão abriu uma investigação, após ter afirmado na sexta-feira que 30 insurgentes tinham sido mortos.

As forças estrangeiras no Afeganistão são acusadas frequentemente de provocar a morte de civis. Segundo a Comissão afegã independente dos direitos humanos, mais de 900 civis foram mortos desde o início de 2008 em atos de violência, de insurgentes e das forças de segurança afegãs e internacionais.

Em julho, dois ataques aéreos das forças internacionais mataram 64 civis, a maioria mulheres e crianças, nas províncias de Nuristan e Nangarhar, segundo comissões de investigações afegãs.

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