Afeganistão: junho foi o mês mais sangrento para os soldados estrangeiros

O mês de junho de 2008 foi o mês com o maior número de mortes entre os soldados das forças internacionais no Afeganistão, desde a queda do regime dos talibãs no fim de 2001; as tropas vêm enfrentando cada vez mais ataques dos insurgentes.

AFP |

No mês em questão, 49 soldados da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e da coalizão sob comando americano morreram no Afeganistão, em combate, em atentados ou em acidentes, segundo uma contagem da AFP feita com base em comunicados militares.

Somente no mês de junho morreram 40% do total registrado desde o início do ano, que ficou em 122 soldados estrangeiros, segundo o site de internet de referência iCasualties. A maioria deles foi vítima de explosivos lançados contra o comboio ou a patrulha em que estavam.

O mês de junho também foi marcado por sucessos e fracassos da comunidade internacional no Afeganistão. Na Conferência de Paris, em meados de junho, cerca de US$ 20 bilhões de ajuda ao desenvolvimento e à reconstrução foram prometidos, mas no dia seguinte mil prisioneiros fugiram da prisão de Kandahar, um reduto de insurgentes, após o assalto de um comando talibã.

No total, 70.000 soldados estrangeiros estão posicionados no Afeganistão, entre eles 53.000 da Isaf, que compreende soldados de 40 nações. Os demais fazem parte de uma coalizão sob comando americano, a Operation Enduring Freedom (OEF).

"De 1º de janeiro a 21 de junho, 55 soldados morreram em combate em 2007 e 70 em 2008. Mas as comparações neste sentido podem ser enganosas se estiveram fora do contexto", ressaltou o general Carlos Branco, porta-voz da Isaf, cujos dados não levam em conta as mortes acidentais e as perdas da OEF.

"Em janeiro de 2007, a Isaf contava com 37.493 soldados, contra cerca de 50.000 em janeiro de 2008. O percentual de mortos é praticamente o mesmo em 2006 e 2007", acrescentou.

Sendo assim, com o aumento das perdas nas tropas estrangeiras, o Afeganistão ultrapassa o Iraque como campo de batalha mais perigoso na guerra global contra o terrorismo.

No entanto, as perdas no Afeganistão continuam sendo inferiores às sofridas pelo Exército soviético durante a invasão do país em 1979. Desde 2001, até 900 soldados estrangeiros morreram no Afeganistão, enquanto entre 1979 e 1989 os soviéticos perderam 15.000 dos 100.000 homens enviados.

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