Afeganistão: general americano diz que sem reforço há risco de fracasso

O comandante das forças internacionais no Afeganistão, o general americano Stanley McChrystal, alertou que, sem o aumento dos recursos militares no país, a coalizão corre o risco de fracassar, em um documento confidencial revelado pela imprensa nesta segunda-feira.

AFP |

"Se fracassarmos em reassumir a iniciativa e a colocar fim à ofensiva dos insurgentes no curto prazo (nos 12 próximos meses), esperando que as capacidades de segurança afegãs amadureçam, podemos chegar a uma situação em que não será mais possível vencer os insurgentes", escreveu o general McChrystal no documento publicado pelo Washington Post.

O relatório, uma avaliação estratégica do conflito afegão, foi apresentado ao secretário americano da Defesa, Robert Gates, em 30 de agosto, e está em poder da Casa Branca.

Neste documento de 66 páginas, que também foi obtido pelo New York Times, o general americano destaca que a missão afegã sofre por falta de recursos desde o início e continua sofrendo com isso.

Aparentemente, ele não citou números neste relatório.

Sem recursos extras, a coalizão corre o risco de um conflito mais longo, mais vítimas, custos mais elevados e, ao final, uma erosão crucial de apoio político. "Cada um destes riscos, pode levar a um fracasso provável da missão", escreveu o general McChrystal.

O general é o militar de maior patente no Afeganistão, onde dirige a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Otan e as tropas americanas.

O militar denunciou também a "fraqueza das instituições afegãs, uma corrupção crescente e abusos de poder de responsáveis diversos, assim como nossos próprios erros, que deram pouquíssimas razões aos afegãos para apoiar seu governo".

"As forças internacionais agiram de tal forma que nos afastaram, física e psicologicamente, das pessoas que tentamos proteger", completa.

"Os insurgentes não podem nos vencer militarmente, mas nós podemos nos vencer nós mesmos".

O presidente americano, Barack Obama, foi convidado a dizer se vai mandar mais tropas ao Afeganistão, além dos 21.000 soldados anunciados no início do ano.

Obama declarou, domingo, à CNN que sua decisão sobre os reforços não será "ditada pela política atual" e prometeu ser "cético" diante dos pedidos dos generais.

Os talibãs, derrubados do poder no fim de 2001 pelas forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos, intensificaram consideravelmente e expandiram geograficamente sua insurreição em dois anos.

Segundo o general McChyrstal, os insurgentes recrutam em massa nas prisões.

As prisões se tornaram "santuários e uma base para a armação de operações sangrentas contra o governo afegão e as forças internacionais", escreveu, destacando que os insurgentes islamitas "representam mais de 2.500 dos 14.500 presos em um sistema penitenciário afegão saturado".

Após oito anos de presença, as forças internacionais custam cada vez mais a acabar com a insurreição dos talibãs, enquanto as opiniões públicas ocidentais se preocupam com o comprometimento de suas tropas. Elas sofreram perdas recordes nos últimos meses.

Quase 62.000 americanos lutam ao lado de 38.000 soldados dos países aliados no Afeganistão.

ao/lm/fp

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