Afeganistão encerra campanha eleitoral em meio a possível boicote às urnas

Diego A. Agúndez.

EFE |

Cabul, 17 ago (EFE).- Milhares de afegãos ocuparam hoje o estádio de Cabul para dar seu apoio ao principal candidato opositor nas eleições presidenciais afegãs, Abdullah Abdullah, no último dia da campanha para o pleito, no qual os talibãs reiteraram sua convocação ao boicote às urnas.

Com o presidente afegão, Hamid Karzai, como favorito à vitória, as eleições acontecem no próximo dia 20 em um clima de completa incerteza devido às ameaças dos insurgentes, que consideraram o pleito como "propaganda" americana em um comunicado postado na Internet.

Os talibãs negaram que fizeram um acordo para permitir o processo eleitoral, como foi anunciado em julho pelas autoridades na cidade de Bagdhis, e asseguraram que "a maioria do Afeganistão" está sob seu controle, motivo pelo qual "não há possibilidade de realizar eleições, salvo em algumas poucas cidades e centros provinciais".

Apesar da ameaça fundamentalista, milhares de pessoas seguiram hoje rumo ao estádio da capital do Afeganistão para receber Abdullah, um dentista e ex-ministro de Assuntos Exteriores que aparece nas pesquisas de opinião como o principal adversário de Karzai.

O próprio candidato chegou até o palanque entre empurrões e arrastado por uma horda de seguidores que sua segurança privada - um grupo de tadjiques armados com fuzis Kalashnikov - mal pôde conter, tanto que várias pessoas se machucaram.

No estádio, os partidários de Abdullah davam gritos de apoio a seu candidato, antigo braço direito de Ahmed Shah Massoud, o líder da Aliança do Norte assassinado por fundamentalistas em 2001, cujas fotografias dominavam o estádio.

"Todo mundo no Afeganistão quer uma mudança e temos certeza de que ganharemos", disse à Agência Efe um porta-voz da campanha, enquanto um helicóptero branco jogava panfletos sobre o estádio para o delírio dos presentes, com uma mensagem a favor da mudança.

Segundo a última pesquisa divulgada, publicada pelo instituto americano IRI, Abdullah receberia 26% dos votos, bem atrás de Karzai, com 44%, resultado que levaria os dois candidatos a um segundo turno.

"Ajudarei a juventude, todos devem me apoiar para o desenvolvimento nacional do Afeganistão. Me ajudem a ganhar e eu os ajudarei", berrava o candidato diante dos microfones enquanto a multidão cantava seu nome e chamava Karzai de "inútil".

Segundo analistas, os votos para Abdullah, de pai pashtun e mãe tadjique, virão principalmente desta última etnia, a segunda mais numerosa do país e cujos representantes compareceram em massa hoje ao estádio de Cabul, local que já foi usado pelos talibãs para matar réus.

As eleições presidenciais estão marcadas pela ameaça de boicote dos talibãs e por suas tentativas de atrapalhar o processo com ações como o atentado de sábado contra o quartel-general da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, em inglês) no Afeganistão, que deixou sete mortos.

Embora o Governo afegão tenha prometido mobilizar todos os seus recursos para proteger o pleito, o ministro do Interior, Mohammed Hanif Atmar, reconheceu em declarações à Efe neste domingo que suas forças não serão totalmente capazes de garantir a segurança do processo eleitoral.

Em sua corrida para vencer já no primeiro turno, ou seja, com mais de 50% dos votos, Karzai dedicou o dia de hoje ao descanso e sua equipe anunciou a retirada de quatro candidatos à Presidência que darão seu apoio ao chefe de Estado.

"Nos reunimos com ele e vimos que está comprometido com a democracia e o desenvolvimento do Afeganistão", disse à Efe um deles, o médico Nasin Anis, que negou ter negociado um posto em um hipotético novo Governo de Karzai.

O presidente, da etnia pashtun, somou até agora o apoio de dez candidatos e aposta em conseguir votos das diferentes etnias afegãs, embora seus rivais o acusem de ter se "entregado" aos caudilhos regionais e antigos "senhores da guerra" para chegar a esse objetivo.

"Vendo o tipo de participação política e nacional que criamos e o fato de dez candidatos nos apoiarem, as coisas funcionaram bem", explicou à Efe o porta-voz da campanha de Karzai, Waheed Omar.

Abdullah visitou hoje à tarde diversas províncias afegãs, assim como os candidatos Ashraf Ghani e Ramazan Bashardost, a grande surpresa nas pesquisas até agora, nas quais aparece no terceiro lugar. EFE daa/bba

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