Afeganistão emite mandado de prisão contra ex-chefe de Banco Central

Medida é tomada um dia após Abdul Qadeer Fitrat fugir aos EUA dizendo temer por sua vida por uma suposta investigação de fraude

iG São Paulo |

Autoridades afegãs emitiram um mandado de prisão contra o ex-presidente do Banco Central do Afeganistão, Abdul Qadeer Fitrat, que está sendo investigado em conexão com uma grande fraude no principal banco privado do país, o Kabul Bank, e com a impressão sem autorização de grandes quantidades de dinheiro.

Na segunda-feira, Fitrat anunciou sua renúncia e fuga aos EUA, alegando temer por sua vida depois de supostamente investigar um escândalo de fraudes no Kabul Bank, que é ligado a parentes do presidente do país, Hamid Karzai, e foi à falência no ano passado. Segundo ele, sua vida corria risco e o governo afegão impediu suas tentativas de investigar a corrupção na entidade.

O vice-procurador-geral Rahmatullah Nazari disse que pediria à embaixada dos EUA e à Interpol ajuda para garantir a prisão de Fitrat. "Ele será trazido aqui para enfrentar a Justiça. Nós o seguiremos", afirmou à BBC. "Há sérias acusações contra ele. Ele precisa respondê-las", disse.

Os EUA - onde Fitrat tem residência - não têm um acordo de extradição com o Afeganistão. O ex-presidente, que se refugiou no Estado americano da Virgínia (leste do país), diz não ter planos de voltar a seu país natal.

O Kabul Bank tinha entre seus acionistas parentes e simpatizantes de Karzai, e seu colapso levou a perdas estimadas em US$ 500 milhões. A falência do banco é atribuída a fraudes derivadas de esquemas de pirâmide, de empréstimos irregulares e de desvio de dinheiro, segundo as investigações.

Fitrat alegou que autoridades de alto escalão do governo estariam bloqueando suas tentativas de identificar os responsáveis pelas fraudes bancárias e de recuperar o dinheiro desviado. “Vinha pressionando pela abertura de um processo legal contra os envolvidos no desfalque de centenas de milhões de dólares, alinhado com a comunidade internacional e para prevenir que isso se repetisse no futuro”, disse Fitrat à BBC. “Pedi processos contra indivíduos específicos. Mas não recebi nenhum indicativo de que haja planos para investigá-los.”

Há dois meses, ele citou publicamente parlamentares que estariam envolvidos no escândalo. Desde então, alega que vem enfrentando perigo. Autoridades do governo afegão em Cabul disseram não ter recebido um aviso formal da renúncia de Fitrat e afirmaram que o presidente do Banco Central está entre os investigados pelas fraudes no Kabul Bank.

"É uma fuga, não uma renúncia. Os procedimentos formais não foram respeitados. Não é mais o presidente, e sim um presidente em fuga", declarou o porta-voz da presidência, Waheed Omer. "Ele nunca disse a ninguém no governo que sua vida estava em perigo", afirmou.

O episódio ocorre poucos dias depois de o presidente americano, Barack Obama, anunciar um plano para a retirada de militares dos EUA do Afeganistão . Dez mil soldados devem deixar o país asiático até o fim deste ano, e outros 23 mil deverão sair até setembro de 2012.

Os EUA têm no governo de Karzai um aliado incômodo, pelos indícios de corrupção que envolvem a administração afegã. Na segunda-feira, Washington declarou que continuará a pressionar por “reformas e fortalecimento” do sistema financeiro afegão, segundo a agência Reuters.

*Com BBC e AFP

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