Afeganistão elege presidente amanhã e Karzai é favorito

Diego A. Agundez.

EFE |

Cabul, 19 ago (EFE).- O Afeganistão realizará amanhã as segundas eleições presidenciais desde a invasão americana ao país e a queda, no final de 2001, do regime dos talibãs, que convocaram um boicote ao pleito e retomaram a violência durante a campanha, com o assalto a um banco em Cabul hoje, além de um atentado em Kandahar.

Segundo o Ministério do Interior afegão, durante o assalto ao banco, três insurgentes foram mortos pela Polícia.

Além disso, um chefe de distrito e um líder tribal morreram e outra pessoa ficou ferida depois da explosão de uma bomba durante a passagem de seu veículo, na província de Kandahar, no sul do país, informou uma fonte policial à Agência Efe.

Durante a campanha, os talibãs intensificaram seus ataques tanto às forças estrangeiras, quanto às autoridades afegãs, em uma tentativa de dissuadir os 17 milhões de afegãos convocados às urnas amanhã para eleger o presidente do país e membros dos conselhos provinciais.

Para resistir ao boicote talibã e "assegurar uma ampla participação eleitoral", o Governo afegão recorreu à censura hoje, para proibir a difusão de notícias sobre "qualquer ato de violência" durante a votação.

O presidente afegão, Hamid Karzai (da etnia pashtun, majoritária no país), é o favorito ao cargo, segundo uma pesquisa de intenção de votos do instituto americano IRI, que prevê um segundo turno contra o tadjique Abdullah Abdullah, ex-ministro de Exteriores e antigo braço direito do comandante afegão que liderou a resistência antitalibã e foi assassinado dias antes do atentado de 11 de setembro, Ahmed Shah Massoud.

Segundo a pesquisa, a grande surpresa das eleições poderia ser Ramazan Bashardost (de etnia de religião muçulmana xiita, localizada principalmente no leste do Afeganistão), terceiro em intenções de voto, acima do ex-ministro das Finanças Ashraf Ghani.

Dos 41 candidatos originais, dois deles mulheres, 10 passaram a apoiar Karzai, que no último minuto atraiu também o apoio do uzbeque Rashid Dostum, um polêmico líder militar do norte afegão, acusado de crimes de guerra e de trair todos os seus antigos parceiros.

Com 100 mil soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e dos Estados Unidos, com o objetivo de garantir um ambiente seguro para a votação - semanas antes, operações especiais foram realizadas nos redutos talibãs da província meridional de Helmand - a segurança é o grande desafio das eleições.

Karzai busca a reeleição diante de uma população submetida cada vez a maiores níveis de violência - mais de 2.100 civis foram mortos em ações militares em 2008 - e que segue entre as mais pobres do mundo, com um terço da população (7,3 milhões de pessoas) ameaçada pela fome, segundo denunciou hoje a ONG Oxfam.

A Oxfam critica os altos índices de corrupção durante o mandato de Karzai.

Os opositores do presidente afegão também questionaram sua política de alianças e sua conivência com diferentes setores para se manter no poder, em particular com Dostum, mas também com outros dirigentes afegãos, como Mohammed Fahim ou Ismail Khan.

A cadeia britânica "BBC" contribuiu ontem com as suspeitas de fraude, ao divulgar uma investigação própria que constatou tentativas de venda de centenas de títulos eleitorais e de compra de apoio para determinados candidatos.

"Houve fraudes tradicionais no Afeganistão e este ano haverá auditorias para detectá-las. A comissão eleitoral afegã conta com assistência internacional e sua preparação das eleições, se não impecável, ficará próxima disto", disse María Espinosa, da missão de observação da União Europeia (UE), à Efe.

Os analistas destacam que, depois de quase oito anos de esforço no Afeganistão, a comunidade internacional não permitirá eleições fracassadas.

Bashardost disse não ter dúvidas de que foi feito tudo o possível para favorecer Karzai, com tentativas de indução ao voto, como a recente publicação da enquete do instituto dos EUA que dá vitória a ele.

Os resultados provisórios das eleições serão divulgados no dia 3 de setembro e os definitivos no dia 17. Um possível segundo turno será realizado em outubro. EFE daa-lo-ja/pd

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