Afeganistão e Paquistão prometem cooperar mais contra o terror

ISTAMBUL - Os presidentes do Afeganistão, Hamid Karzai, e do Paquistão, Asif Ali Zardari, fizeram um acordo para aumentar a cooperação na luta antiterrorista nesta sexta-feira, em Istambul, sob a mediação do chefe de Estado turco, Abdullah Gül.

EFE |

"Paquistão e Afeganistão estão seriamente afetados por um problema de terrorismo", disse Karzai. "Desde a eleição do presidente Zardari os contatos foram muito bem e nossos governos acordaram um mecanismo de luta contra Al-Qaeda e outros grupos terroristas", explicou Karzai em coletiva de imprensa após a cúpula.

"Na Turquia, acordamos levar esta luta antiterrorista a um plano mais detalhado e cooperativo, que englobe todas as nossas instituições", afirmou o presidente afegão em relação à reunião.

Gül, por sua parte, definiu a cúpula trilateral de Istambul como um encontro "aberto, sincero e muito frutífero" no qual se decidiu instituir um grupo formado por secretários das chancelarias de cada um dos três países.

Também foi acordado cooperar na luta contra o narcotráfico e "explorar a futura cooperação militar entre os três países, incluindo treinamento de tropas". "Demonstramos que temos a coragem de estabelecer um diálogo para solucionar os conflitos de nossa região", acrescentou Gül.

Concretamente, sobre os atentados que na semana passada mataram quase 200 na cidade indiana de Mumbai (ex-Bombaim), os três líderes fizeram uma condenação conjunta.

Em resposta a uma pergunta sobre as acusações ao Paquistão sobre a possível colaboração de seus serviços secretos com o grupo islâmico Lashkar-e-Taiba, suspeito do ataque, Zardari assegurou que "existe uma investigação interna em andamento" e que seu país "continuará sua guerra contra o terror".

As tensas relações entre Índia e Paquistão devido à região da Caxemira podem piorar caso se mostrem vínculos entre os responsáveis dos atentados de Mumbai e de Islamabad, o que por sua vez repercutiria negativamente na guerra que o Governo do Afeganistão e a força da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) mantêm contra os talibãs.

Em declarações à emissora "NTV", a especialista na região sul da Ásia Oya Akgönenç Mugisuddin explicou que caso a tensão entre Índia e Paquistão cresça, Islamabad poderia reforçar militarmente sua fronteira oriental, o que diminuiria o controle das zonas do noroeste, de onde os talibãs atacam Afeganistão.

Washington e Cabul acusam o Paquistão de não fazer o suficiente para controlar as regiões tribais do noroeste, especialmente o Waziristão, onde previsivelmente têm suas bases os talibãs e se suspeita que se esconde o líder máximo da Al-Qaeda, Osama bin Laden.

O governo dos EUA está aumentando a pressão sobre o novo Executivo paquistanês para que mantenha todos os compromissos antiterroristas do anterior presidente e grande aliado americano, Pervez Musharraf, e inclusive chegou a bombardear território paquistanês.

O presidente americano, George W.Bush, ligou na última quinta-feira para o chefe de Estado turco para agradecer sua mediação em um momento em que as relações entre Washington e Islamabad se estremeceram após a queda de Musharraf e as denúncias paquistanesas de violações de sua integridade territorial por parte de forças dos EUA.

O Paquistão diz que foram 17 ataques americanos contra seu território desde agosto passado, número nunca confirmado ou desmentido pelo Pentágono.

Por outro lado, o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, anunciou sua intenção de reforçar a presença militar americana no Afeganistão, perante os problemas da Otan para controlar o território afegão pelos crescentes ataques dos talibãs.

Segundo disse à "NTV" o analista turco e assessor da missão da Otan no Afeganistão (Isaf), Esedullah Oguz, este aumento de soldados "não resolverá o problema, pois é necessário primeiro uma solução política".

Em abril de 2007, os líderes do Afeganistão e Paquistão, também sob o auspício da Turquia, se reuniram em Ancara pela primeira vez, onde se comprometeram a unir seus esforços para lutar contra o talibã e respeitar a integridade territorial e as fronteiras comuns. Também desta vez, os três países acordaram continuar suas reuniões trilaterais em 2009.

    Leia tudo sobre: paquistão

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG