Afeganistão e EUA assinam acordo de transferência de prisão

Em passo essencial para pacto de longo prazo sobre presença dos EUA no país, comando de prisão em Bagram deve passar para Cabul em 6 meses

iG São Paulo |

O Exército dos EUA assinou nesta sexta-feira na capital do Afeganistão, Cabul, um acordo para transferir o comando de seu principal centro de detenção no país para as autoridades afegãs no período de seis meses, um passo essencial em direção a um pacto de longo prazo sobre a presença militar americana no Afeganistão.

iG explica: Entenda por que o Afeganistão é estratégico

AP
Foto de 23/3/2011 mostra detento afegão atrás de grade dentro da prisão de Parwan, perto da base americana de Bagram, no Afeganistão
Leia também: Afeganistão inaugura primeiro cibercafé exclusivos para mulheres

O Acordo de Parceria Estratégica, discutido por Washington e Cabul há mais de um ano, remove um ponto controvertido que ameaçava prejudicar as negociações entre os dois países para uma parceria mais longa que é crítica para definir o papel de Washington depois de 2014 , quando as últimas tropas de combate estrangeiras devem se retirar do país e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) deve transferir a responsabilidade de segurança a Cabul.

O acordo desta sexta-feira estende um prazo estabelecido pelo presidente afegão, Hamid Karzai, para a transferência de cerca de 3 mil detentos afegãos na instalação de Parwan, uma prisão gerenciada pelos EUA contígua à base militar de Bagram, a 60 km ao norte de Cabul, mas também pela primeira vez explicita um compromisso americano para uma data para a transferência. Sob o pacto, os EUA ainda terão acesso à Parwan e serão capazes de impedir a libertação de detentos que acham que deveriam continuar presos.

Autoridades americanas e afegãs disseram que querem um acordo de parceria estratégica assinado até que a Otan se reúna em Chicago em maio, mas as negociações paralisaram, principalmente por causa de desacordos sobre o controle dos centros de detenção e sobre ofensivas noturnas nas vilas afegãs.

O general John Allen, comandante das forças dos EUA e da Otan no Afeganistão, caracterizou o acordo desta sexta-feira como um progresso real em direção a uma parceria mais ampla. "É um passo importante em direção às nossas negociações de parceria estratégica", disse em Cabul antes de assinar o acordo ao lado do ministro da Defesa afegão, Abdul Rahim Wardak.

Previamente, Karzai pediu que a instalação de Parwan fosse transferida até esta sexta-feira. O acordo agora põe um general afegão no controle de Parwan nos próximos dias, de acordo com o porta-voz presidencial Aimal Faizi, mas dará uma janela de seis meses para que os detentos sejam gradualmente transferidos para a vigilância afegã.

De acordo com o documento, os EUA continuarão a oferecer apoio logístico durante 12 meses, e uma comissão conjunta entre os dois países decidirá sobre cada libertação até que um acordo mais permanente seja adotado. A comissão terá de atingir um consenso sobre cada decisão, de acordo com autoridades americanas envolvidas nas negociações - uma cláusula que essencialmente garantirá aos EUA o poder de bloquear quaisquer libertações com as quais não concordem.

Saiba mais: EUA devem manter 'presença clandestina' no Iraque e Afeganistão

O pacto desta sexta-feira surge depois que as relações entre Washington e Cabul ficaram mais tensas em recentes semanas depois da queima de cópias do Alcorão e de outros materiais religiosos em Bagram, desatando tumultos e ataques que deixaram

quase 40 mortos

.

Os EUA pediram desculpas e disseram que os exemplares do livro sagrado dos muçulmanos foram retirado de Parwan por terem mensagens extremistas escritas neles, mas que não deveriam ter sido queimados. Logo após o incidente, Karzai disse que esse tipo de coisa não aconteceria se os afegãos estivessem no comando do centro de detenção.

A questão das ofensivas noturnas, porém, continua em aberto. Karzai reivindica que as forças da coalizão ponham fim a essas ações nas vilas afegãs. Os ataques noturnos têm militantes como alvo, mas Karzai disse que civis são frequentemente mortos quando as ações se tornam violentas. Para ele, as tropas afegãs deveriam conduzir essas atividades sozinhas. De acordo com autoridades americanas, há negociações separadas para estabelecer um memorando que resolva a disputa.

*Com AP e Reuters

    Leia tudo sobre: afeganistãoalcorãoqueima do alcorãoeuaotankarzai

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG