Berlim, 10 ago (EFE).- O diretor do serviço secreto afegão, Amrullah Saleh, diz que o Paquistão treina e fornece armas aos talibãs que cometem atentados no Afeganistão para isolar seu país, mantê-lo ao nível de uma nação atrasada e evitar seu contato com Ocidente.

Em entrevista que será publicada amanhã na revista "Der Spiegel", Saleh afirma que seu país sofre graves problemas de violência, causados "sobretudo pelo Paquistão" cujo propósito é "frear" o Afeganistão e deter as próximas eleições.

Na matéria antecipada hoje pela "Der Spiegel", ele sustenta que o Paquistão "tem medo" de que as autoridades afegãs reconstruam o país e atribui ao Exército paquistanês o fornecimento das "30 milhões de balas" disparadas este ano pelos talibãs.

"É um fato. O Exército paquistanês é muito disciplinado, e por isso que admiro eles. Não existem elementos fora de controle como constantemente asseguram", aponta.

Saleh também questiona os esforços realizados por Islamabad na luta contra o terrorismo pois, para ele, apesar dos serviços secretos afegãos enviarem aos paquistaneses endereços, números de telefone, nomes e relatórios sobre campos de treinamento, "ninguém fez nada".

Segundo o chefe do serviço secreto afegão, não é verdade que Islamabad tenha perdido o controle da zona fronteiriça com o Afeganistão, por onde se presume que os talibãs recebem armas.

"O Paquistão encena o caos para atrapalhar o desenvolvimento do Afeganistão. O Exército paquistanês é muito forte e, uma vez que seu Governo tenha alcançado seu objetivo, tomarão de novo o controle oficial da região", ressaltou. EFE nvm/rr

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