Afeganistão diz que ação americana matou nove crianças

Uma comissão do governo do Afeganistão que investiga a morte de dez afegãos em um ataque de forças americanas no país disse, nesta quarta-feira, que todas as vítimas eram civis e nove delas, crianças. Segundo a parlamentar afegã Gulhar Jalal, eles foram mortos enquanto dormiam, no último sábado, em um vilarejo da província de Kunar, no leste do país.

BBC Brasil |

Jalal culpou as forças americanas por ter lançado um ataque baseado em informações "duvidosas" dos serviços de inteligência.

"Os americanos não coordenaram a ação com o governo afegão e confiaram no que seus serviços disseram", afirmou ela. "Mas eles têm que falar com o governo e com as pessoas mais velhas da região antes de agir, em vez de confiar apenas em espiões que recebem algumas centenas de dólares pelo serviço."
Protestos
O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, condenou a operação.

Nesta quarta-feira, centenas de estudantes realizaram um protesto contra os Estados Unidos em Jalalabad, na província vizinha de Nangarhar, e na capital, Cabul.

Mas um porta-voz das forças da coalizão militar liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão negou as acusações, dizendo que após a operação, da qual teriam também participado soldados afegãos, foram encontradas armas na casa onde estavam as vítimas - um indício de que se tratavam de insurgentes e não crianças.

Segundo o correspondente da BBC em Cabul Peter Greste, é impossível confirmar a veracidade das informações oferecidas pelos dois lados.

Mas, de acordo com ele, existe a possibilidade de que as crianças estariam ajudando os insurgentes.

Kunar é uma província remota, fortemente atingida pela neve no inverno, e dominada pelo Talebã, o que dificulta ainda mais a investigação do incidente do sábado.

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