Afeganistão anuncia trégua com o Taliban em área remota

Por Sayed Salahuddin CABUL (Reuters) - O Afeganistão anunciou na segunda-feira o seu primeiro cessar-fogo com o Taliban, em uma remota província do país, com vistas à eleição presidencial de agosto. A trégua, no entanto, durou poucas horas.

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Pouco depois do anúncio, a Grã-Bretanha sugeriu a Cabul que ofereça uma fórmula para que a "infantaria" do Taliban deixe a insurgência.

O cessar-fogo na província de Badghis (noroeste), perto da fronteira com o Turcomenistão, ocorreu em meio a uma escalada de violência que coincide com a aproximação da eleição de 20 de agosto. Os ataques contra civis e as mortes de soldados estrangeiros atingiram seus piores níveis desde o início do conflito, em 2001.

Seyamak Herawi, porta-voz da presidência, disse que a trégua foi definida no sábado, e que o governo espera realizar acordos semelhantes em outras partes do país antes da eleição.

"Enquanto o cessar-fogo for mantido, o governo não tem intenção de atacar o Taliban (em Badghis). E o Taliban também pode participar das eleições", disse Herawi à Reuters.

Várias horas depois, o ministério afegão do Interior disse que "inimigos da paz e da estabilidade" - termos frequentemente atribuídos ao Taliban - haviam realizado uma emboscada contra a polícia em Badghis. Dois insurgentes morreram, e dois policiais ficaram feridos, segundo ele.

Qari Mohammad Yousuf, porta-voz do Taliban, antes havia negado que houvesse qualquer trégua com o governo.

"A resistência contra o inimigo continua inabalada. O governo armou isto", disse Yousuf à Reuters de local não-revelado. "Falei com os mujahideen (combatentes do Taliban) de lá a respeito, e eles negaram."

A violência no Afeganistão se intensificou neste mês, desde que milhares de soldados dos EUA e da Grã-Bretanha iniciaram ofensivas contra o Taliban na província de Helmand (sul).

Os ataques em Badghis são menos frequentes do que nos redutos do Taliban no sul e leste do país.

Líderes dos EUA e da Grã-Bretanha discutiram neste ano sobre a possibilidade de colaborar com integrantes "moderados" do Taliban e com ex-dirigentes da guerrilha que desde o final de 2008 tentam estabelecer uma mediação entre os insurgentes e o governo de Hamid Karzai.

Mas o Taliban repetidamente rejeita tais apelos, prometendo lutar até que todas as tropas estrangeiras deixem o Afeganistão.

(Reportagem adicional de David Brunnstrom em Bruxelas)

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