Afeganistão ameaça combater insurgência talibã em solo paquistanês

Lutfullah Ormurl Cabul, 15 jun (EFE).- Após semanas de atritos com Islamabad devido à ameaça de terrorismo na conflituosa fronteira do Afeganistão com o Paquistão, o presidente afegão, Hamid Karzai, ameaçou hoje atacar vários líderes talibãs que estão escondidos em solo paquistanês.

EFE |

Em entrevista coletiva em Cabul, Karzai disse que irá capturar todos os que estão escondidos em território do Paquistão.

O presidente afegão se referiu explicitamente ao líder talibã no Paquistão, Baitullah Mehsud, que está refugiado na região tribal do Waziristão do Sul e foi acusado pelo Governo paquistanês de estar envolvido no assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto.

"Mehsud precisa saber que agora iremos buscá-lo e que atacaremos sua casa", ameaçou.

Karzai também advertiu o clérigo Fazlullah - que tem sua base de operações no vale nortista paquistanês de Swat - que o Afeganistão atacará sua casa e suas bases.

Também ameaçou atacar o mulá Omar do Paquistão, que tem o mesmo nome do líder dos talibãs no Afeganistão.

"O Afeganistão tem o direito de se defender", continuou o presidente afegão, que advertiu sobre a ameaça representada por uma possível passagem de insurgentes de um lado para o outro da conflituosa fronteira entre os dois países.

Em 31 de maio, Karzai mostrou sua preocupação com a nova política antiterrorista paquistanesa e disse que expressaria suas queixas se os acordos do Governo com líderes fundamentalistas atingissem a segurança do Afeganistão.

O Executivo paquistanês que saiu da disputa eleitoral de fevereiro, liderado pelo Partido Popular Paquistanês (PPP) de Bhutto, deu seu apoio à política contra o terrorismo e já assinou alguns acordos de paz, como o relativo ao vale de Swat.

Nesta região e no cinturão tribal paquistanês, houve no ano passado uma onda de ataques contra o Exército do país.

Os ânimos parecem ter se acalmado em Islamabad e em Cabul no último dia 6, quando o ministro de Exteriores do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, viajou a Cabul e garantiu ao Governo afegão que o Exército retomaria suas operações militares contra os insurgentes, se fosse necessário.

No entanto, as declarações de Karzai evidenciam seu desacordo com Islamabad ao combater o terrorismo na fronteira entre os dois países - onde, segundo a inteligência americana, estão escondidos importantes líderes talibãs e da rede terrorista Al Qaeda.

O Paquistão já protestou várias vezes devido a ataques em seu território e afirmou através de seus porta-vozes que ninguém pode realizar operações no país, exceto o Exército paquistanês.

A última reclamação paquistanesa ocorreu no último dia 11, quando o Governo acusou as tropas dos EUA no Afeganistão de matarem onze soldados em um ataque aéreo em território paquistanês.

O comando militar americano respondeu dizendo que suas forças foram atacadas por um grupo de insurgentes e que só então iniciaram o bombardeio, mas negaram que seus efetivos terrestres tenham ultrapassado a fronteira.

Em seu comunicado à imprensa, Karzai também se referiu hoje à fuga de quase 900 prisioneiros libertados em uma invasão talibã na sexta-feira passada na localidade de Kandahar, e lembrou que foi "um infeliz incidente".

"É uma prova dos desafios e da fraqueza que ainda temos", afirmou o presidente afegão.

Segundo Karzai, o incidente é um motivo para trabalhar mais e incentivar a construção das instituições afegãs, acrescentando que o país precisa se manter sempre atento.

Hoje, o comando americano admitiu em comunicado que suas tropas mataram 15 supostos talibãs dentro de uma operação realizada para capturar os prisioneiros.

No sul do Afeganistão, que faz fronteira com as áreas tribais do Paquistão e onde predomina a etnia pashtun - a mesma dos talibãs -, os combates dos rebeldes com as forças internacionais e afegãs são constantes. EFE lo/fh/an

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