Afeganistão adia eleição legislativa e satisfaz Ocidente

Por Peter Graff e Sayed Salahuddin CABUL (Reuters) - Autoridades eleitorais afegãs concordaram com o adiamento de uma votação legislativa, de maio para setembro, o que satisfez diplomatas que queriam tempo para evitar a repetição das fraudes na disputa presidencial do ano passado.

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O anúncio deste domingo alivia uma das principais fontes de tensão entre o presidente Hamid Karzai e seus apoiadores ocidentais, dias antes de uma conferência em Londres voltada ao planejamento de um roteiro para os países ocidentais começarem a retirar suas tropas.

Um acordo inicial para essa reunião antecipa a entrega do poder sob a qual tropas afegãs poderiam administrar a segurança de algumas províncias por volta de 2011, com as forças estrangeiras em um papel de apoio, mostrou a cópia de um documento obtido pela Reuters.

Depois de um 2009 difícil, o ano com mais mortes na guerra no Afeganistão que já dura oito anos, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e outros líderes ocidentais estão ansiosos para reparar o relacionamento com Karzai e impulsionar seu governo de forma que possa cuidar de si mesmo.

No mês passado, Obama enviou mais 30 mil soldados ao Afeganistão, mas também anunciou uma meta de retirada até meados de 2011, depois de melhorar as forças de segurança e as instituições do país.

Questionado sobre o rascunho do comunicado para a conferência de quinta-feira em Londres, o secretário britânico de Defesa, Bob Ainsworth, disse que a transição seria um processo longo. "Vamos entregar algumas partes do Afeganistão muito antes de outras."

O texto também faz o Afeganistão se comprometer --e o Ocidente a financiar-- com um programa para "chegar aos insurgentes" e pagar aos militantes para baixarem as armas. Essa ideia recebeu apoio público neste domingo por parte dos britânicos.

A eleição presidencial --chamada de fraudulenta por uma investigação da ONU-- gerou crise de confiança no Ocidente e dificultou o plano de Obama para enviar mais soldados ao Afeganistão.

Desde então, diplomatas vêm trabalhando nos bastidores para persuadir Karzai a adiar a eleição no legislativo, originalmente prevista para 22 de maio.

A nova data de 18 de setembro também significa que a votação acontecerá depois da tradicional temporada de confrontos no verão do Hemisfério Norte, dando mais tempo para expansão da força militar internacional.

No ano passado, ameaças do Taliban afastaram os eleitores das urnas em grande parte do sul do país. Com poucos votos genuínos, caixas vazias de votos acabaram lotadas por cédulas falsificadas.

(Reportagem adicional de David Milliken em Londres)

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