Uma afegã que se casou com um médico do Exército indiano há dois anos está processando o marido por bigamia usando o vídeo do casamento como prova. Sabra Ahmadzai, 20 anos, trabalhava como tradutora de hindi em um hospital de Cabul quando conheceu o marido, o major Chandrashekhar Pant.

"Estávamos juntos (casados) há 15 dias quando ele foi transferido de volta para a Índia", disse.

"Ele prometeu voltar com os pais (para o Afeganistão) e partiu. Em seis meses ele me ligou apenas três vezes e, no último telefonema, ele me disse que eu era jovem e poderia me casar de novo e também disse: 'Tenho dois filhos e uma esposa de um casamento anterior'."
No vídeo do casamento, Ahmadzai é mostrada vestindo branco, junto com Pant, caminhando por um templo, cortando o bolo de casamento e participando dos rituais do casamento islâmico.

Ahmadzai afirmou que esperou dois anos para que o marido voltasse para o Afeganistão, mas os comentários e perguntas dos vizinhos ficaram insuportáveis. Desde novembro de 2008 ela está na Índia, onde pretende processar o marido.

O casamento com um estrangeiro ainda é um tabu no Afeganistão. Mas Sabra Ahmadzai afirmou que decidiu se casar com Pant depois de ele ter se convertido ao islamismo e de sua família ter dado a permissão.

Ahmadzai já se encontrou com Pant no hospital da pequena cidade de Pithoragarh, no Himalaia.

Ela afirmou que seu marido ficou surpreso ao vê-la.

"Disse a ele que lhe daria três opções: 'Quando uma garota se casa, ela vai viver na casa do marido, então eu vou viver com você e sua família aqui na Índia, ou você e sua família virão comigo para o Afeganistão'."
"'E se você não está satisfeito com nenhuma destas duas opções, então pelo menos venha ao Afeganistão e me dê o divórcio em frente ao mesmo clérigo e das mesmas pessoas (que participaram do casamento)'", afirmou Ahmadzai.

Ahmadzai está recebendo apoio de estudantes locais e agências não governamentais.

Com esta ajuda, ela já registrou uma queixa na polícia e está em Nova Déli, pois bigamia é ilegal na Índia. O advogado de Ahmadzai, Ravindra Garia, afirmou que ela tem um bom caso contra o major.

"Sabra está aqui, existem CDs com o vídeo do casamento dela e ela tem um certificado de casamento, que é prova documental de que este casamento ocorreu", disse.

Mas, segundo a polícia local, Pant afirmou que sua imagem no vídeo de casamento foi forjada.

"Chandrashekhar Pant nega que tenha ocorrido uma cerimônia de casamento e acredita que estas imagens são, na verdade, uma montagem", disse o superintendente da polícia de Pithoragarh, PS Rawat, à BBC.

O comandante do Exército indiano, o general Deepak Kapoor, afirmou que, se o major for considerado culpado, os militares vão tomar suas providências.

"Se o inquérito revelar que um integrante do Exército é culpado, automaticamente é possível aplicar medidas disciplinares. O Exército não acredita na filosofia de proteger o responsável por qualquer tipo de irregularidade, corrupção ou crime", afirmou.

Mas, o general Kaapor afirmou que o Exército fez sua própria investigação e descobriu algumas "dicotomias" entre os registros militares e o que Ahmadzai afirmou em sua queixa à polícia.

"A dicotomia vem do fato de o casamento ter ocorrido em dezembro. Nossos registros, segundo os detalhes do oficial na missão no Afeganistão, mostram que ele estava lá de janeiro a novembro", disse.

Sabra Ahmadzai afirmou que vai continuar com o processo, mesmo que isso dure anos.

"Aprendi que você não deve se casar com alguém de fora de sua comunidade e se você fizer isso, então você precisa perguntar e ser cuidadosa", disse.

Ahmadzai afirmou que quer voltar ao Afeganistão e abrir uma ONG para ajudar outras mulheres afegãs exploradas.

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