AF 447: Brasil encerra buscas mas França continua

O Brasil decidiu encerrar as operações de busca de corpos e destroços do avião da Air France que fazia a ligação entre Rio de Janeiro e Paris, mas a França mantém importantes meios na área para tentar localizar as caixas pretas do aparelho.

AFP |

Quase quatro semanas após a queda do voo AF 447, no dia 1 de junho, "nenhum corpo foi encontrado nos nove últimos dias", declarou na noite de sexta-feira em Recife o tenente-coronel Henry Munhoz.

Considerando "insignificante" o que ainda poderia ser encontrado no mar a esta altura, a Marinha e a Força Aérea Brasileira (FAB) decidiram encerrar as buscas.

Conduzidas com a ajuda de navios franceses e de aviões espanhóis e americanos, as buscas permitiram recuperar nas águas do Oceano Atlântico 51 dos 228 corpos dos passageiros que estavam a bordo do AF 447, entre eles os do comandante e de um tripulante brasileiro.

No total, mais de 600 peças, entre corpos e destroços do avião, foram recuperadas.

Apesar do encerramento das buscas coordenadas pelo Brasil, das quais também participava um Falcon 50 francês, a França mantém importantes meios na área do acidente para tentar localizar as caixas pretas, destacou neste sábado o Exército francês.

A decisão do Brasil "não tem nenhum impacto nas nossas buscas", confirmou uma porta-voz do Escritório de Investigações e Análises (BEA, sigla em francês), encarregado da investigação técnica do acidente.

A porta-voz reafirmou que o BEA continuará procurando no mar as caixas pretas do Airbus A330, mas não especificou um prazo para o fim das operações de busca.

O BEA deve apresentar quinta-feira um "primeiro relatório factual" sobre o acidente, cujas causas permanecem indeterminadas.

A França mantém, portanto, o submarino nuclear Emeraude, os navios de guerra Mistral e Ventôse, e o navio de exploração submarina Pourquoi Pas, equipado com o submarino Nautile, um robô e material de detecção acústica.

Além disso, um avião de observação está em alerta em Dacar para qualquer necessidade, destacou o estado-maior do exército.

Os cerca de 300 destroços recuperados pelos navios franceses foram reunidos a bordo do Mistral.

Nenhum corpo, e poucas peças, foram localizados desde o dia 16 de junho.

Porém, os investigadores ainda têm esperanças de encontrar as caixas pretas, inclusive depois do dia 30 de junho, quando elas deverão parar de emitir sinais.

Fundamentais para explicar as causas do acidente, as balizas às quais são ligadas as duas gravações do voo podem, segundo o BEA, continuar emitindo sinais vários dias depois do encerramento teórico do prazo de emissão de 30 dias.

O resultado da busca é muito incerto, levando em conta a profundidade de 3.000 a 5.000 metros e o relevo do fundo do mar na zona do acidente.

bur/yw

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