Aeroportos dominicanos são chaves para receber ajuda humanitária no Haiti

Santo Domingo, 15 jan (EFE).- Os aeroportos da República Dominicana se transformaram na principal porta de entrada para a recepção da ajuda humanitária internacional dirigida ao Haiti, cuja capital resultou praticamente destruída pelo terremoto de 7 graus na escala Richter que ocorreu na terça-feira passada.

EFE |

Missões procedentes dos Estados Unidos, Ásia, Europa e América Latina deveram tocar solo dominicano antes de voar até Porto Príncipe, uma cidade imersa na desolação mais aterrorizadora por causa do tremor, que segundo fontes oficiais do país, se teria causado mais de 50 mil mortes.

"Na manhã de hoje recebemos e autorizamos voar para o Haiti inúmeros aviões da Espanha, Peru, Venezuela, Estados Unidos e Rússia, entre outros, todos com ajuda humanitária e equipes de socorro", afirmou hoje à Agência Efe o porta-voz do Instituto Dominicano de Aviação Civil, Pedro Jiménez.

Grande parte dos voos aterrissa no aeroporto Joaquín Balaguer situado no município Santo Domingo Norte, contíguo à capital dominicana.

O funcionário afirmou que pelo menos 30 aeronaves partiram hoje com destino à capital haitiana, incluindo oito voos dominicanos.

Autoridades locais e da Organização das Nações Unidas (ONU), coordenam as operações de recepção dos aviões, providos muitos deles com cobertores, água, remédios e materiais a utilizar-se nos trabalhos de resgate.

Hoje, o ministro da Saúde no Haiti, Alex Larsen, confirmou que 50 mil pessoas morreram e 250 mil ficaram feridas no terremoto.

Além disso, assinalou que segundo as primeiras estimativas da Direção de Defesa Civil, de 750 mil a 1 milhão de pessoas perderam suas casas, quem considerou prioritário a coleta de corpos para evitar as epidemias.

Por outro lado, o presidente dominicano, Leonel Fernández, quem se reuniu ontem em Porto Príncipe com seu colega haitiano, René Préval, ordenou que também a preparação do aeroporto María Montez, situado em Barahona e distante só 15 minutos de voo do Haiti, para receber aviões.

"Está se trabalhando conjuntamente com a Organização de Aviação Civil Internacional (Icao), que tenta assumir o controle do espaço aéreo haitiano diante da situação criada após o terremoto", revelou Jiménez.

O funcionário afirmou que os voos de ajuda a partir do solo dominicano caíram "consideravelmente" na tarde hoje, devido ao congestionamento do aeroporto Toussaint Louverture da capital haitiana.

Detalhou que os soldados americanos assumiram o controle do terminal aeroportuário haitiano e limitaram a aterrissagem e com isso a chegada das ajudas.

Um grupo de 23 socorristas do Taiwan que chegou a Santo Domingo, não pode empreender voo em direção ao Haiti porque não receberam autorização para isso.

"Estamos estudando a possibilidade de irmos por terra ou esperar pelo menos mais um dia mais, porque a ajuda não deve demorar mais a chegar", disse hoje à agência Efe Antonio Lee, funcionário da embaixada taiwanesa na capital dominicana.

Enquanto isso, a assistência local continua sendo ativa em direção ao Haiti com o anúncio hoje do Governo dominicano que acordou com seu colega haitiano a implementação imediata de quatro pontos destinados a agilizar o esforço internacional para atenuar a crise em Porto Príncipe.

Entre estas medidas, as autoridades locais disseram que seus socorristas trabalham no resgate das vítimas e sepultamento dos mortos em valas comuns, no restabelecimento da comunicação telefônica e do serviço de energia elétrica e na instalação de hospitais de campanha e fixos para atender à população afetada, em coordenação com o Governo brasileiro.

Por outro lado, o Governo da República Dominicana dispôs hoje de 339 milhões de pesos (US$ 11,4 milhões) para ajudar ao Haiti nos trabalhos humanitários e de reconstrução.

O terremoto de 7 graus na escala Richter ocorreu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, elevou hoje para 17 o número de brasileiros mortos no país - considerando as mortes de Luiz Carlos da Costa (da ONU) e de outro brasileiro não identificado -, segundo informações da "Agência Brasil".

Desse total, 14 são militares e foram confirmados pelo Exército brasileiro como integrantes da Força de Estabilização do Haiti (Minustah).

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor. EFE rs/dm

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