Aeronave americana não-tripulada mata 13 no Paquistão

Por Alamgir Bitani PESHAWAR (Reuters) - Uma aeronave americana não-tripulada disparou um míssil no norte do Paquistão neste sábado e matou 13 pessoas, incluindo militantes estrangeiros, disseram membros das forças de segurança e residentes.

Reuters |

"O míssil acertou uma casa onde havia alguns convidados", disse um agente de inteligência, referindo-se a militantes estrangeiros. "Temos informações de que 13 pessoas morreram, incluindo alguns dos convidados."

Horas mais tarde Baitullah Mehsud, líder do Taleban no Paquistão, reclamou a autoria de um tiroteio contra um centro de imigrantes em Nova York no qual um atirador matou 13 pessoas, dizendo ser uma retaliação contra os ataques de aeronaves americanas não-tripuladas em solo paquistanês.

Autoridades americanas não se encontravam disponíveis para comentar a afirmação de Mehsud, mas analistas de segurança paquistaneses a desdenharam dizendo ser um gesto propagandístico.

O jornal New York Times citou o deputado Maurice Hinchey, cujo distrito inclui a cidade de Binghamton, no estado de Nova York, onde o tiroteio ocorreu. Ele afirmou haver indícios de que o atirador era um imigrante vietnamita.

Com a insurgência afegã se intensificando, os EUA passaram a realizar mais ataques de naves não-tripuladas contra militantes da Al Qaeda e do Taleban no lado paquistanês da fronteira no ano passado.

Desde então, cerca de 35 ataques mataram perto de 350 pessoas, incluindo membros do escalão médio da Al Qaeda, de acordo com relatórios de autoridades paquistanesas, residentes e militantes.

O ataque deste domingo aconteceu na região do Waziristão do Norte, um reduto de militantes da Al Qaeda e do Taleban na fronteira afegã, cerca de 35 km a oeste da principal cidade da região, Miranshah, aproximadamente às 20h (horário de Brasília).

Mais tarde, um homem-bomba foi morto ao se aproximar de um comboio militar. Seus explosivos detonaram, matando três pessoas que passavam no local, segundo testemunhas e uma autoridade hospitalar.

Muitos militantes da Al Qaeda e do Taleban fugiram para regiões na fronteira noroeste do Paquistão, como o Waziristão do Norte, depois que forças lideradas pelos EUA expulsaram o Taleban do Afeganistão no final de 2001.

Das remotas terras tribais de Pashtun, que jamais foram administradas por qualquer governo paquistanês, os militantes orquestraram a guerra afegã e planejaram atos violentos para além de suas fronteiras.

"MEUS HOMENS"

Detentor da bomba atômica e aliado americano, o Paquistão é contrário aos ataques de mísseis, dizendo se tratar de uma violação de sua soberania e serem contra-producentes.

Autoridades disseram que cerca de um de cada seis ataques no ano passado causaram a morte de civis sem ter matado nenhum militante, e que isso alimenta o anti-americanismo, complicando o esforço militar para subjugar a violência.

A concentração de ataques no Waziristão também está empurrando alguns militantes para o leste e penetrando mais e mais no Paquistão, dizem.

Mehsud disse na terça-feira que o Taleban realizou um ataque contra um centro de treinamento policial na cidade paquistanesa de Lahore em represália aos ataques de naves não-tripuladas americanas. Ele prometeu mais ataques no Paquistão, no Afeganistão e nos EUA.

Analistas de segurança disseram que Mehsud não é capaz de conduzir ataques nos EUA sozinho, mas que é parte de uma rede liderada pela Al Qaeda que tem alcance global.

Mehsud disse à Reuters por telefone que dois homens, um paquistanês e outro "estrangeiro", realizaram o tiroteio nos EUA na sexta-feira.

"Eu assumo a responsabilidade. Eles eram meus homens. Eu lhes dei a ordem como reação aos ataques de naves não-tripuladas americanas", disse ele, acrescentando que um dos atacantes escapou e lhe telefonou.

Os analistas paquistaneses estão céticos.

"Parece um gesto para reforçar a própria imagem. Para mim, é só conversa", disse Talat Masood, um general aposentado e atual analista. "Isso mostra que ele está sob enorme pressão."

A competição entre facções do Taleban no noroeste se intensificou, e os ataques de naves não-tripuladas estão cobrando seu preço, dizem analistas.

No mês passado, os EUA anunciaram uma recompensa de U$5 milhões por informações que levem à localização ou prisão de Mehsud.

"Ele não é capaz de realizar ataques nos EUA", disse o analista de defesa Hasan Askari Rizvi.

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