Londres, 29 set (EFE).- Os advogados que representam várias famílias palestinas solicitaram a um tribunal britânico uma ordem de detenção do ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, por supostos crimes de guerra cometidos em Gaza há oito meses.

Um dos advogados, Tayab Ali, disse à imprensa britânica que o pedido foi apresentado hoje ao Tribunal de Westminster e está à espera de que o pedido seja atendido.

No entanto, um porta-voz do tribunal se limitou a dizer à Agência Efe que a imprensa terá que esperar até as 14h30 locais (11h30, no horário de Brasília) para saber mais informações a respeito.

Barak se encontra no Reino Unido e deve assistir hoje ao congresso anual do Partido Trabalhista realizado em Brighton (sul da Inglaterra), onde espera reunir-se com o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown.

Ali assinalou que a o pedido de detenção está relacionado com a ofensiva israelense na Faixa de Gaza, em janeiro.

Segundo o advogado, a ordem de detenção "tem que ser emitida hoje, de outra maneira, corremos o risco de que Ehud Barak abandone o país".

Os advogados pedem a detenção em virtude da Lei de Justiça Criminal de 1988, que permite aos tribunais da Inglaterra e do País de Gales a terem jurisdição universal em casos de crimes de guerra.

Além disso, os letrados alegam que a ordem do Tribunal Penal Internacional (TPI) emitida em maio do ano passado para a detenção do presidente do Sudão, Omar al-Bashir, - acusado de crimes de guerra na região de Darfur -, abre um precedente.

A secretária-geral da Campanha por uma Palestina Solidária, Betty Hunter, qualificou de "desgraça" a presença de Ehud Barak em Brighton.

"Em janeiro, as pessoas do Reino Unido protestaram contra o massacre em Gaza, que Barak ordenou às Forças Armadas. Como parte da Convenção de Genebra (sobre direito internacional humanitário), o Governo britânico deveria prender Barak por crimes de guerra, e não recebê-lo com um jantar", afirmou Betty. EFE vg/pd

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