Advogados de autor do atentado na Noruega pedirão redução da pena

Defesa alega que Anders Behring Breivik, que deixou 77 mortos em Oslo e na ilha de Utoeya, colaborou com a polícia

EFE |

Os advogados de Anders Behring Breivik , autor do duplo atentado que deixou 77 mortos na Noruega, pedirão a redução de sua pena, alegando que seu cliente colaborou com a polícia. Essa informação foi dada pelo advogado Geir Lippestad em uma coletiva. Dentro de quatro semanas, o resultado do exame psiquiátrico de Breivik deve ficar pronto e ele deverá ser usado como estratégia da defesa.

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Odd Ivar Groen, Tord Jordet, Vibeke Hein Baera e Geir Lippestad, advogados de Anders Behring Breivik, visitam fazenda do cliente em Asta, norte de Oslo

De acordo com Lippestead, Breivik se filiou ao ultranacionalista Partido do Progresso, mas a impossibilidade de expressar suas ideias fez com que buscasse outras vias. Experiências violentas em ambientes de imigrantes , contatos com extremistas na internet e a influência dos jogos de computador contribuíram para sua radicalização.

Entre os atenuantes aos quais os advogados recorrerão está o fato de o fundamentalista cristão ter reconhecido desde o primeiro momento ser o autor dos atentados e ter proporcionado explicações minuciosas sobre os preparativos e a realização, o que, segundo as leis norueguesas, deveriam diminuir a pena em um terço do total.

Além disso, alegam que Breivik tentou ligar pelo menos duas vezes para a polícia para se render e não quis disparar nas várias crianças que estavam na ilha de Utoeya , onde deixou 69 mortos. Os advogados consideram também que a segurança deficiente no bloco governamental de Oslo e em Utoeya, assim como a lentidão da polícia contribuíram para Breivik completar sua ação terrorista.

"Nos fixaremos na segurança do complexo. Breivik está surpreso porque lhe permitiram dirigir uma caminhonete até a entrada e porque ela ficou estacionada por seis minutos sem que a movimentassem", disse Lippestad. No entanto, juristas consultados pelo jornal norueguês VG duvidam da estratégia da defesa, uma vez que a natureza dos atentados não parece admitir atenuantes.

A Promotoria norueguesa ainda não decidiu se acusará Breivik por crimes contra a humanidade, com o que poderia ser condenado a até 30 anos de prisão, diferente da pena máxima de 21 que prevê o código penal norueguês. O direito norueguês inclui, no entanto, uma figura denominada "forvaring" que permite estabelecer penas adicionais prorrogáveis de forma indefinida, se considerar que o réu continua sendo um perigo para a sociedade - o que, na prática, pode se transformar em uma pena perpétua.

A previsão é que o julgamento comece no primeiro semestre de 2012, mas ainda não há uma data definida. Os advogados de Breivik visitaram nesta sexta-feira a fazenda que ele possuía na localidade de Åsta, a 160 km de Oslo, e onde fabricou e escondeu a bomba que detonou no centro da capital. A polícia norueguesa avaliou a possibilidade de fazer uma reconstituição dos fatos na fazenda com Breivik, similar a que fez em Utoeya três semanas depois dos atentados.

Porém rejeitou a ideia ao considerar que os dados fornecidos pelo ultradireitista e as investigações realizadas eram suficientes para determinar que ele fabricou a bomba sem ajuda.

Breivik detonou no dia 22 de julho um carro-bomba no complexo governamental de Oslo , deixando oito mortos, e imediatamente depois, se transferiu à ilha de Utoeya, onde disparou de forma indiscriminada matando outros 69 no acampamento da Juventude Trabalhista.

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