Advogados civis do julgamento de Fujimori interrogam chefe da inteligência

Lima, 23 jun (EFE).- Os advogados da parte civil no julgamento do ex-presidente peruano Alberto Fujimori interrogaram hoje rapidamente o ex-chefe do Serviço de Inteligência Nacional (SIN) Julio Salazar Monroe para poder passar ao testemunho do ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos.

EFE |

Salazar Monroe, que respondeu mais de 400 perguntas da Promotoria durante sete audiências consecutivas do julgamento por violação dos direitos humanos, será interrogado pela defesa de Fujimori a partir da próxima quarta-feira.

O ex-chefe oficial do SIN disse hoje que desconhecia as atividades de Montesinos no órgão de inteligência, apesar dele ser assessor "ad honorem".

Salazar Monroe lembrou que Montesinos lhe contou que utilizava o orçamento entregue por seu escritório para a construção de estradas e centros de saúde, embora haja suspeitas de que o dinheiro era usado para financiar a guerra suja contra o terrorismo.

O ex-general do Exército afirmou que as negociações realizadas por Montesinos com o também ex-assessor do SIN Rafael Merino para obter um acordo de paz com o fundador do grupo Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, após sua captura em 1992, foram feitas "a título pessoal".

Além disso, Salazar Monroe negou que o SIN tenha realizado operações conjuntas com o Serviço de Inteligência do Exército, envolvido também em supostas violações dos direitos humanos, como o seqüestro e as torturas do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer em suas instalações em 1992.

O ex-chefe de Inteligência ressaltou que nunca soube da detenção de Dyer, após o golpe de Fujimori, pois se soubesse não teria permitido.

Além dos seqüestros, Fujimori é processado pelos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992) onde 25 pessoas foram mortas pelo grupo Colina, formado por militares supostamente convocados por Montesinos.

Ao terminar o interrogatório de Salazar Monroe, recentemente condenado a 35 anos de prisão pelo massacre de La Cantuta, o advogado de Fujimori, César Nakazaki, disse que não estava preparado e pediu adiamento de seu depoimento para a próxima quarta-feira. EFE mmr/rb/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG