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Advogados acusam Fujimori de ser autor mediato de massacres

Lima, 4 fev (EFE).- O ex-presidente peruano Alberto Fujimori foi o autor mediato dos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), ou seja, cometeu os crimes através de terceiros, disseram hoje os advogados das vítimas no julgamento do ex-líder.

EFE |

O advogado Carlos Rivera disse que o ex-governante (1990-2000) não precisava "dominar a vontade do executor" dos massacres, mas "bastava controlar" os serviços de inteligência e as Forças Armadas para realizar sua política antiterrorista.

"Fujimori assumiu uma relação de fato das Forças Armadas, foi um comandante de verdade. Sua decisão política gerou um domínio claro e direto sobre o comando militar", explicou.

O advogado acrescentou que, nesta "guerra suja" contra o terrorismo, Vladimiro Montesinos, o então assessor de inteligência de Fujimori, teve "um papel fundamental". Ele é acusado de ter criado o grupo Colina, o destacamento militar que executou estes crimes.

Rivera respaldou a acusação da Promotoria, que pediu 30 anos de prisão para Fujimori por considerá-lo o "autor mediato" dos massacres de Barrios Altos e La Cantuta, assim como do sequestro de um jornalista e um empresário após o "autogolpe" de Estado de 1992.

Durante o regime de Fujimori foram cometidos "crimes em massa, de forma sistemática e a mãos de agentes do Estado" em quatro cidades do país: Lima, Ayacucho -o epicentro do conflito armado-, Junín e Huánuco, afirmou.

O advogado explicou que estas violações sistemáticas aos direitos humanos podem ser constatadas com as estatísticas sobre desaparecimento forçado de pessoas e execuções extrajudiciais cometidas entre 1990 e 1993, como métodos de luta contra a subversão.

Na segunda-feira está previsto que os advogados das vítimas finalizem suas alegações para o início da argumentação do representante de Fujimori, César Nakazaki.

O ex-líder terá direito a dar sua alegação final antes da sentença em primeira instância, que deve ser emitida em meados de março.

O processo passará depois a uma segunda e definitiva instância, já que os envolvidos anunciaram que apresentarão um recurso de apelação caso se sintam afetados. EFE wat/db

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