LOUISVILLE, Kentucky - O papa Bento 16 pode ser questionado em breve sobre abusos cometidos por padres católicos por ser o maior conhecedor da igreja, disse um advogado norte-americano.

Muitos processos semelhantes solicitaram a participação do papa, do Vaticano e de outras autoridades de alto-escalão da igreja católica mas falharam.

Esse pedido é parte de uma ação movida por três homens que dizem que os clérigos deveriam ter alertado sobre o abuso sexual de padres da Arquidiocese de Louisville. Um juiz federal aprovou as alegações mas negou outras acusações do processo. Agora depende da 6º Corte de Apelação dos EUA, em Cincinnati.

O advogado William McMurry disse que o papa Bento 16 tem conhecimento incomparável em relação às reclamações de abusos sexuais porque antes de ser eleito como sumo pontífice, ele comandava o gabinete do Vaticano diretamente envolvido na investigação desses crimes por parte dos clérigos.

"O papa tem certos conhecimentos relevantes ao caso", disse McMurry, que na segunda-feira entrou com o pedido de uma intimação que exija o testemunho do papa.

O advogado também notou que o papa tem 81 anos de idade e que pode não ser capaz de testemunhar mais tarde, caso o processo chegue à Suprema Corte.

Jeffrey Lena, o advogado do Vaticano nos Estados Unidos, baseado na Califórnia, teve pouco a dizer sobre o assunto.

"Isso é novo", disse. "E não é apropriado".

Juntamente com as acusações contra o Vaticano, o processo desafia a constitucionalidade do Ato de Imunidade da Soberania Estrangeira, que dá imunidade à países estrangeiros sobre processos locais.

McMurry disse que a lei viola os direitos da defesa a um julgamento real sobre o caso. McMurry também diz que a lei não se aplica ao Vaticano por causa de seu papel como uma instituição religiosa e um país.

A administração Bush defende a lei, dizendo que o governo dos Estados Unidos reconhece o Vaticano com país desde 1984 e que apenas o presidente, e não uma corte, pode reconhecer um país.

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