Belgrado, 30 jul (EFE).- O advogado do suposto criminoso de guerra Radovan Karadzic, extraditado hoje a Haia, reconheceu que nunca recorreu contra a transferência de seu cliente e informou que pedirá um período de 30 dias para preparar sua defesa antes de pronunciar-se sobre a acusação.

"Essa era a única maneira de prolongar a estadia do meu cliente na Sérvia para permitir que sua família o visitasse", disse o advogado Svetozar Vujacic à emissora de TV "B92".

Vujacic tinha anunciado na semana passada que apelaria contra a decisão do juiz de instrução sérvio sobre a extradição de seu cliente no último dia de prazo legal previsto, no dia 25 de julho, e que enviaria a apelação pelo correio.

O Tribunal de Belgrado tinha anunciado que esperaria "um tempo razoável" para receber a apelação, já que não há prazo determinado por lei para isso.

A família de Karadzic, na Bósnia, não pôde viajar a Belgrado, porque perdeu sua documentação em janeiro por ordem do alto representante internacional para a Bósnia, Miroslav Lajcak, por seu suposto papel na rede de ajuda para esconder-lhe da Justiça internacional.

Karadzic chegou hoje às dependências penitenciárias do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), depois de deixar Belgrado na madrugada.

A porta-voz Olga Kavran disse à Agência Efe que Karadzic "chegou à prisão de Scheveningem quando foi emitido um comunicado sobre o assunto", o aconteceu às 7h50 (2h50 de Brasília).

O avião que levou o ex-líder político servo-bósnio decolou às 4h20 (23h20 de terça-feira em Brasília) do aeroporto de Belgrado, para onde foi trasladado após deixar as dependências judiciais onde estava detido desde sua detenção, no último dia 21, segundo fontes sérvias.

Um comboio de quatro veículos 4x4 partiu do Tribunal de Belgrado às 3h45 (22h45 de terça-feira em Brasília) ao aeroporto da capital sérvia, de onde viajou a Roterdã, aonde chegou às 6h30 (1h30 de Brasília).

O ex-líder servo-bósnio já expressou mediante seus advogados sua intenção de se defender sozinho no TPII, mas com o auxílio de uma equipe de assessores.

Karadzic foi detido pelos serviços de inteligência sérvios nas proximidades de Belgrado, onde vivia sob identidade falsa e se dedicava à medicina alternativa.

O ex-presidente dos sérvios da Bósnia é acusado pelo TPII do genocídio e outros crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra da Bósnia. EFE Sn/mh

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