Advogado de iraniana condenada à morte foge para a Noruega

Mohammad Mostafaei diz que foi para o país por ter visto de visitante e recebeu ajuda da embaixada da Noruega na Turquia na fuga

Reuters |

O advogado iraniano que defendeu uma mulher condenada à morte por apedrejamento no Irã disse no domingo que fugiu para a Noruega em busca de proteção contra as autoridades do seu país. O advogado de direitos humanos Mohammad Mostafaei, de 37 anos, desapareceu de Teerã no dia 24 de julho, depois de ser interrogado pelas autoridades iranianas. Sua mulher e seu cunhado foram presos mais tarde, de acordo com um relatório da Anistia Internacional.

Um dos maiores críticos do sistema judicial iraniano, Mostafaei disse em coletiva de imprensa em Oslo que ele já defendeu centenas de clientes, inclusive jovens que enfrentam a pena de morte.

"Mas, qual foi a minha recompensa por isso? Uma ordem de prisão contra mim e a prisão da minha esposa e do irmão dela quando eles não conseguiram me pegar", ele disse.

O advogado acrescentou que foi para a Noruega porque tinha um visto de visitante e recebeu ajuda da embaixada da Noruega na Turquia, depois de fugir para lá de carro, a cavalo e a pé.

Um dos clientes de Mostafaej é Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma mulher de 43 anos condenada à morte por apedrejamento por adultério -- uma acusação que ela nega -- em um caso que provocou condenação internacional.

Mostafaei disse que foi para a Turquia uma semana atrás, depois que as autoridades iranianas prenderam sua mulher, Fereshteh, e o irmão dela.

Ele afirmou que sua mulher foi libertada no sábado e que espera que ela e a filha deles, de sete anos, viajem para a Noruega.

Assassinato, estupro, adultério, assalto à mão armada, apostasia e tráfico de drogas são crimes passíveis de pena de morte pela lei sharia do Irã, em vigor desde a revolução islâmica de 1979.

No domingo, o ministro das Relações Exteriores da Noruega, Jonas Gahr Stoere, disse que estava feliz em saber que Mostafaej estava em segurança.

"Mas continuamos preocupados e focados no destino de outros defensores de direitos humanos no Irã, e claro, em seus clientes", disse ele à Reuters.

* Por Walter Gibbs

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