Advogado de Fujimori pede absolvição do ex-líder em julgamento

Lima, 2 mar (EFE).- O ex-presidente peruano Alberto Fujimori deve ser absolvido do crime de sequestro agravado do empresário Samuel Dyer em 1992 por falta de provas, afirmou hoje seu advogado César Nakasaki.

EFE |

O advogado afirmou perante a sala que julga o ex-líder (1990-2000) que também poderia apelar da prescrição, da falta de tipicidade do objeto de acusação e da não aplicação do tipo penal de sequestro agravado.

Fujimori enfrenta uma pena de 30 anos de prisão pelo assassinato de 25 pessoas nos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), cometido pelo grupo militar Colina, e pelo sequestro do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer em 1992.

Durante a quinta audiência dedicada à alegação final da defesa, Nakasaki invocou a garantia processual da presunção de inocência, porque se esta não for respeitada, "não é possível aplicar a lei penal de maneira adequada".

O advogado disse que a ordem supostamente dada por Fujimori ao então assessor de inteligência Vladimiro Montesinos, para que militares sequestrassem Dyer em julho de 1992 nos porões do Serviço de Inteligência do Exército, não foi provada porque é falsa.

Ele lembrou que a Promotoria baseia sua acusação nos depoimentos do ex-chefe de Contrainteligência do Serviço de Inteligência Nacional Carlos Domínguez Solís e do ex-chefe do Serviço de Inteligência do Exército Alberto Pinto Cárdenas.

Segundo a Promotoria, ambos tomaram conhecimento de que Fujimori ordenou o sequestro de Dyer por declarações de Montesinos.

No entanto, Nakazaki esclareceu que Domínguez Solís e Pinto Cárdenas são testemunhas de referência, cujos testemunhos não podem ser levados em conta pelo tribunal porque o próprio Montesinos não respeitou a garantia da contradição, ao frustrar seu próprio interrogatório.

Isso fez com que a sala eliminasse sua declaração como prova no caso.

Para o advogado, a Promotoria não realizou uma devida operação probatória que cumpra os princípios da verdade processual, livre avaliação e solução da incerteza.

O letrado pediu à sala para continuar sua alegação na quarta-feira. EFE mmr/db

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