Advogado de Berlusconi nega escândalo arqueológico

Por Daniel Flynn ROMA (Reuters) - O advogado do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, negou que o premiê tenha escondido ruínas arqueológicas em sua casa de campo na Sardenha e afirmou que vídeos com o objetivo de mostrá-lo exibindo-se para uma acompanhante eram falsos, informaram jornais neste sábado.

Reuters |

As fitas, que seriam de Berlusconi em uma conversa com Patrizia D'Addario, prenderam a atenção de toda a Itália ao revelar detalhes dos supostos contatos sexuais. Na sexta-feira, o semanário L'Espresso publicou uma nova transcrição, na qual o bilionário político aparentemente gabava-se de tumbas em sua residência na ilha.

Segundo a lei italiana, descobertas arqueológicas feitas em propriedades privadas devem ser informadas às autoridades para inspeção, catálogo e possível escavação. A oposição pediu que o governo esclareça o assunto no Parlamento.

"O primeiro-ministro Berlusconi nunca falaria sobre a descoberta de 30 tumbas fenícias em seu parque, porque nada desse tipo está lá ou já foi descoberto na casa," afirmou Niccolo Ghedini, que também é legislador do partido Povo da Liberdade (PDL), de Berlusconi.

"Toda a área foi submetida a uma exaustiva vistoria por autoridades judiciais há pouco tempo, incluindo a casa e o parque. Outra vistoria pode ser feita a qualquer momento," disse.

O advogado repetidamente negou a autenticidade dos vídeos, chamando-os de "um produto da imaginação," e alertou que é ilegal publicá-los.

Berlusconi, um magnata da mídia de 72 anos, não negou que D'Addario foi à sua casa, mas disse que não sabia que ela era uma acompanhante e que nunca pagou para fazer sexo.

Após jornais de todo o mundo terem publicado detalhes das transcrições, Berlusconi tentou minimizar o escândalo com um gracejo. "Não sou santo. Vocês todos já entenderam," afirmou.

Uma pesquisa de opinião publicada na terça-feira mostrou que sua taxa de aprovação caiu abaixo dos 50 por cento pela primeira vez desde que ele ganhou facilmente uma eleição no ano passado. Ele perdeu quatro pontos percentuais em relação a maio, quando sua mulher pediu um divórcio, causando uma série de revelações sobre sua vida privada.

Mas muitos italianos se declaram despreocupados com a vida privada do premiê, dizendo que são assuntos pessoais.

A emissora de televisão estatal RAI e a rede Mediaset, de Berlusconi, que reúnem grande parte da audiência italiana, mantiveram-se afastadas do escândalo.

Entretanto, analistas dizem que o caso pode diminuir o apoio a Berlusconi pelos eleitores católicos. O Avvenire, o jornal da influente Conferência Episcopal Italiana, desaprovou suas ações.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG