Advogado assassinado deixa vídeo acusando presidente da Guatemala

Guatemala, 11 mai (EFE).- O presidente da Guatemala, Álvaro Colom, a esposa dele e os mais íntimos assessores do chefe de Estado foram acusados por um advogado guatemalteco de assassiná-lo, em um vídeo supostamente gravado antes de ele ser morto a tiros no domingo e que só foi divulgado hoje.

EFE |

Cópias da gravação, de 18 minutos de duração, circularam hoje durante o enterro do advogado e foram disponibilizadas nos sites dos jornais locais "Prensa Libre" e "El Periódico".

Nas imagens, Rodrigo Rosenberg Marzano aparece sentado em uma escrivaninha explicando as razões pelas quais previa que seria morto.

"Se você está vendo esta mensagem é porque eu, Rodrigo Rosenberg Marzano, fui assassinado pelo secretário privado da Presidência, Gustavo Alejos, e seu parceiro Gregorio Valdez (empresário ligado ao Governo), com a aprovação do senhor Álvaro Colom e de (sua esposa) Sandra de Colom", diz o advogado no vídeo.

Rosenberg Marzano, de 47 anos, também teria deixado uma declaração assinada de próprio punho, na qual assegura que foi assassinado por conhecer os detalhes de um crime duplo.

"A razão pela qual estou morto é porque, até o último momento, fui advogado do empresário Khalil Moussa e de sua filha Marjorie Moussa", assassinados a tiros em 14 de abril em um setor do sul da capital guatemalteca.

Segundo o vídeo, Moussa, que fazia parte da direção do Banco de Desenvolvimento Rural (Banrural), de capital misto, foi assassinado por se recusar a encobrir "os negócios ilegais e milionários que se negociam dia a dia" na instituição.

Esses negócios, acrescenta o documento, "vão desde a lavagem de dinheiro até o desvio de fundos públicos a programas inexistentes da esposa do presidente, Sandra de Colom, assim como o financiamento de empresas de fachada utilizadas pelo narcotráfico".

O advogado foi morto a tiros no domingo perto de sua casa, em um bairro nobre do sul da capital , por desconhecidos que estavam em dois carros.

"A única verdade que conta é que se você viu esta mensagem é porque eu, Rodrigo Rosenberg Marzano, fui assassinado por Gustavo Alejos e Gregorio Valdez, com a aprovação de Álvaro Colom e de Sandra de Colom, por rejeitar que fosse transformado em estatística o covarde e vil assassinato de duas pessoas incríveis", afirma.

No final do vídeo, Rosenberg Marzano pede ao vice-presidente, Rafael Espada, para que seja "o primeiro a liderar um movimento para recuperar nossa Guatemala, e fazer com que se cumpra a lei com ajuda de todos os bons guatemaltecos que o apoiam sem reservas".

Após a divulgação do vídeo, o Governo guatemalteco negou a participação do presidente no assassinato do advogado e atribuiu a uma "conspiração" para desestabilizar ao país as acusações contra si.

O porta-voz da Presidência, Fernando Barillas, afirma que o vídeo e a nota pretendem criar uma situação de desestabilização na Guatemala. EFE ca/db

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