Membro do Partido Trabalhista, Geir Lippestad ficou conhecido por defender extremista de direita condenado por assassinato de jovem filho de africano

O advogado de defesa de Anders Brievik, Geir Lippestad , membro do Partido Trabalhista cuja ala jovem foi alvo de seu cliente na sexta-feira durante massacre na Ilha de Utoya , ameaçou sair do caso se o autor confesso dos atentados na Noruega se recusar a fazer exames psicológicos para atestar sua sanidade mental, segundo o jornal britânico The Guardian.

Geir Lippestad defende o norueguês Anders Behring Breivik, 32 anos, autor confesso do massacre na Noruega
AFP
Geir Lippestad defende o norueguês Anders Behring Breivik, 32 anos, autor confesso do massacre na Noruega
Lippestad, que descreveu Brievik como uma pessoa “muita fria” e “provavelmente insano ”, disse que defender um homem que confessou ser autor de ataques que mataram dezenas é um trabalho que deve ser feito com o propósito de preservar a integridade do sistema legal da Noruega. O advogado, no entanto, disse não ter entendido por que foi escolhido pelo assassino para representá-lo.

A jornalistas, Lippestad também disse que Breivik forneceu mais detalhes sobre suas conexões com células de extrema direita , incluindo as de fora do país. “Ele falou de duas células na Noruega, mas também outras no exterior”, acrescentou o advogado. Autoridades da polícia norueguesa investigam as supostas células terroristas , mas têm dúvidas sobre a veracidade das afirmações feitas por Brievik.

Trabalhista

Membro do governista Partido Trabalhista, Lippestad tornou-se mais conhecido por defender Ole Nicolai Kvisler, um radical de direita que foi condenado e sentenciado a 17 anos em 2002 pelo assassinato de Benjamin Hermansen, um jovem de 15 anos cujo pai nasceu em Gana, na África.

O jornal britânico Telegraph disse que Lippestad - quem descreveu como “urbano, liberal e fluente em inglês” - ficou chocado ao ser contactado pela polícia em casa, que lhe comunicou que o homem mais odiado do país desde sexta-feira pedia por sua ajuda.

Depois de hesitar em aceitar o convite por horas, o advogado conversou com amigos e parentes se deveria ou não defender o autor confesso do ataque duplo que deixou oito mortos no centro de Oslo e 68 na ilha de Utoya, onde os norugueses costumam passar temporadas de verão, segundo número revisto pela polícia .

Mas, no fim das contas, contou, a causa pelos direitos civis dentro de um processo penal se sobrepôs ao horror inicial. “Acredito que o sistema legal é muito importante em uma democracia, e alguém tem de fazer esse trabalho”, disse Lippestad na manhã desta terça-feira.

Ligação

De acordo com o Telegraph, Breivik chegou a alugar um escritório próximo à empresa de advocacia que Lippestad trabalha. O advogado disse nunca ter visto Breivik antes dos ataques de sexta-feira, mas é possível que o extremista norueguês soubesse quem ele fosse e já viesse observando-o de longa data.

Membro do Partido Trabalhista, Lippestad chegou a ser vice-diretor da legenda em Nordstrand, distrito eleitoral de Oslo. Ao justificar as ações de sexta-feira, Breivik disse que o Partido Trabalhista levou a Noruega à falência e deixou o país ser “colonizado por muçulmanos”.

Ao defender Ole Kvisler pela morte de Benjamin Hermansen, Lippestad ganhou projeção nacional. A morte do jovem de mãe noruguesa e pai africano resultou em protestos e marchas contra racismo na Noruega. Até mesmo o cantor americano Michael Jackson dedicou seu álbum “Invicible” à memória de Benjamin.

O caso rendeu fama ao advogado, para quem até os mais brutais assassinos merecem um julgamento justo. Agora, com Breivik, os olhos do mundo inteiro estarão voltados a Lippestad.

*Com AP

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