Um canadense acusado por engano de terrorismo e enviado à Síria, onde foi torturado, foi vítima de uma conspiração americana de alto nível, afirmou o advogado da vítima em um tribunal de Nova York na terça-feira.

O painel de 12 juízes da Corte de Apelações do 2º Distrito de Nova York ouviu as acusações feitas pelo advogado de Maher Arar, engenheiro de computação de origem síria deportado para este país em 2002.

"Houve uma conspiração intencional para submeter (Arar) a torturas e houve uma conspiração intencional de não permitir a ele acesso aos tribunais", disse o advogado David Cole.

A apelação acontece depois do mesmo tribunal ter rejeitado o caso, quando três juízes levaram em consideração as preocupações do governo americano com a segurança nacional.

O caso evidencia o programa do governo do presidente George W. Bush que fez com que suspeitos de terrorismo fossem detidos sem acusações e entregues a governos conhecidos pela prática de torturas.

A tortura é proibida nos Estados Unidos e por isto muitos acusam o governo de 'terceirizar' a prática.

Arar foi detido quando estava em trânsito no aeroporto JFK de Nova York a caminho de Montreal, depois de passar férias na Tunísia, em 26 de setembro de 2002.

O nome dele apareceu em uma lista de suspeitos de pertencer à Al-Qaeda, ele foi separado da família e enviado à Síria, onde passou 10 meses detido, seis deles sem ver a luz do sol.

O governo do Canadá pediu desculpas a Arar, limpou seu nome e pagou 10 milhões de dólares de indenização.

No entanto, ele não tem permissão para entrar nos Estados Unidos e não pôde participar na audiência.

sms/fp

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