Advogada: Rússia, EUA e Grã-Bretanha preparam troca de espiões

Países trocariam agentes condenados na Rússia por detidos no Ocidente; acordo poderia incluir os dez recentemente presos nos EUA

EFE |

A Rússia, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha preparam a troca de 11 espiões condenados em território russo por outros detidos em países ocidentais por espionar para Moscou, entre os quais poderiam estar os dez capturados recentemente nos EUA . A informação surgiu no mesmo dia em que os EUA anunciaram nesta quarta-feira o indiciamento dos dez suspeitos , que foram detidos no mês passado em Nova York, Massachusetts e Virgínia, acusando-os de serem agentes secretos da Rússia.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira por Anna Stavítskaya, advogada do cientista russo Igor Sutiaguin, que cumpre na Rússia uma condenação de 15 anos por espionagem, após informar que seu cliente será deportado para a Grã-Bretanha em troca de uma pessoa presa nesse país.

"Sutiaguin será enviado à Inglaterra em troca de uma pessoa que será entregue à Rússia", disse a advogada à agência oficial russa "Itar-Tass", acrescentando que a mudança de país do cientista poderia acontecer na quinta-feira.

O cientista, empregado do Instituto dos EUA e Canadá adjunto à Academia de Ciências da Rússia, foi preso em 27 de outubro de 1999 sob a acusação de entregar documentação militar secreta ao Ocidente. Sutiaguin foi declarado culpado de "alta traição" em favor dos EUA em processo realizado em 2004 e repleto de irregularidades, segundo a Anistia Internacional, que classificou o cientista de "preso político".

A advogada informou que Sutiaguin já foi levado de seu centro penitenciário a Moscou, onde pode ser visitado por seus familiares, que disseram que sua deportação é parte de uma troca entre um grupo de espiões ocidentais por russos.

Segundo Stavítskaya, "11 pessoas serão trocadas por outras 11, e Sutiaguin é uma delas. É o que contou a seus pais". "Por enquanto não fica claro quem são essas pessoas e por quem serão trocadas", disse advogada à "Interfax". A advogada afirmou que Sutiaguin não descarta que entre os 11 espiões estejam os dez recentemente detidos nos EUA por pertencer, supostamente, a uma rede que espionava para Rússia.

A imprensa afirma que as autoridades dos EUA propõem um trato com esses dez presos, parte dos quais já reconheceram ter identidade e documentação falsa e trabalhar para Moscou .

Pelo trato, eles reconheceriam a culpa por delitos menores em troca de penas mais suaves e sua posterior deportação à Rússia, o que permitiria aos EUA evitar uma cadeia de longos processos nos quais poderia tornar publicas informações confidenciais sobre os métodos de trabalho dos serviços secretos americanos.

Além disso, tal solução, segundo a imprensa, permitiria a Washington e Moscou fechar o embaraçoso caso de espionagem, que escurece a nova etapa de suas relações bilaterais e poderia prejudicar a ratificação nos EUA do novo tratado de desarmamento nuclear.

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