Advogada de jornalista russa assassinada diz ter sido envenenada

Moscou, 14 out (EFE).- Karina Moskalenko, advogada dos parentes da jornalista russa Anna Politkovskaya, assassinada há dois anos, denunciou hoje que foi envenenada em Estrasburgo, na França, junto com seu marido e três filhos, supostamente com mercúrio.

EFE |

Moskalenko relatou à imprensa russa que ela, seu marido e os três filhos, residentes em Estrasburgo, foram hospitalizados recentemente após sentirem fortes sintomas de envenenamento, como náuseas, vômitos, tosse e dores de cabeça.

Durante uma revisão do automóvel da família no domingo passado debaixo dos capôs, se encontrou uma grande quantidade de substância semelhante ao mercúrio, que foi recolhida por agentes da Polícia para investigação.

A advogada, que também representa os interesses do magnata russo preso Mikhail Khodorkovski, do político opositor e ex-campeão mundial de xadrez Garry Kasparov e de vítimas de torturas na Chechênia, supõe que o envenenamento pode estar relacionado a sua participação no processo pelo assassinato de Politkovskaya.

"Ontem ainda tive forças para discursar no Tribunal Europeu de Direitos Humanos", disse Moskalenko ao jornal digital "Gazeta.ru" sobre a corte de Estrasburgo, onde representa diversos clientes.

Ao tempo, ressaltou que seu estado débil e o envenenamento de seus filhos e marido não lhe permitem assistir na quarta-feira à audiência preliminar do caso de Politkovskaya.

Anna Stavítskaya, outra advogada dos parentes de Politkovskaya, disse à agência "Interfax" que na quarta-feira pedirá adiamento da audiência do caso devido ao incidente ocorrido com sua companheira.

Serguei Sokolov, redator-chefe da revista quinzenal "Nóvaya Gazeta", na qual trabalhava Politkovskaya, não descartou que o atentado se relacionasse a algum outro dos famosos casos em que Moskalenko trabalhava no Tribunal de Estrasburgo contra a Rússia.

A advogada ficou famosa por suas vitórias sobre a Rússia no tribunal europeu, onde ganhou 30 casos para pessoas que não tinham encontrado justiça na Rússia, e onde ainda tem em trâmite mais de 100 denúncias.

Moskalenko foi advogada de familiares das vítimas dos reféns no teatro Dubrovka de Moscou, em 2002, e da escola de Beslan, na Ossétia do Sul, em 2004, que acusam o Governo russo da morte de parentes pelas caóticas operações de resgate.

Também foi cliente seu antes de sua morte o ex-espião e dissidente russo Aleksander Litvinenko, envenenado em Londres em 2006 com polônio, substância radioativa, e que, em uma nota póstuma, responsabilizou o Kremlin por seu assassinato.

Moskalenko, comissária desde 2003 da Comissão Internacional de Juristas, com sede em Genebra, ganhou em 2006 um prêmio da Federação Internacional de Direitos Humanos de Helsinque.

No ano passado, a Procuradoria russa tentou retirar o direito de Moskalenko e de outros representantes Khodorkovski advogarem, mas a medida foi rejeitada pela Câmara de Advogados de Moscou. EFE se/jp

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