Adversários de Obama querem repetir revolta de 1773 contra impostos

Os adversários ao plano de recuperação do presidente Barack Obama querem repetir nesta quarta-feira em todo o país um famoso episódio da história americana: a revolta de 1773, em Boston, contra as taxas impostas pelos britânicos.

AFP |

No século XVIII, a Grã-Bretanha cobrava impostos de suas 13 colônias americanas, sem que estas fossem representadas no Parlamento de Westminster, o que provocou o ataque de um navio carregado de chá no porto de Boston (Massachusetts, nordeste) e uma revolta política conhecida como "Boston Tea Party", um dos momentos cruciais da independência dos Estados Unidos.

Os adversários republicanos de Obama escolheram o 15 de abril, o último dia para entregar a declaração de imposto de renda nos Estados Unidos, para organizar "tea parties" em todo o país e "demonstrar a oposição dos americanos ao plano de recuperação de 787 bilhões de dólares aprovado pelo presidente, e sobretudo às medidas fiscais".

Contudo, é pouco provável que o partido derrotado na eleição presidencial de 2008 consiga mobilizar os americanos.

Inspirando-se nos democratas e na Casa Branca, os republicanos apostaram na internet, com apelos à mobilização em sites como Facebook ou YouTube e em blogs, para tentar convencer os americanos a participarem destas revoltas.

"Esses 'tea parties' não representam a expressão espontânea dos sentimentos do público, pois são falsos acontecimentos populares, organizados pelos mesmos suspeitos de sempre", afirmou o Nobel de Economia americano, Paul Krugman.

O homem que está por trás destas manifestações é Rick Santelli, um apresentador ultraconservador do canal de informações financeiras CNBC, que defendeu uma revolta do tipo da de Boston contra os ingleses, sem fornecer outros paralelismos entre a manifestação de 1773 e a que está promovendo hoje.

Sua tirada contra o plano de Obama foi acessada mais de um milhão de vezes no YouTube.

As camisetas, adesivos e 'mugs' de chá relacionados ao evento estão fazendo muito sucesso nos sites de venda na internet.

Alguns tiveram até a ideia de enviar um milhão de sachês de chá aos dirigentes de Washington. "Em 1773, alguns homens jogaram chá no porto de Boston, um ato isolado que provocou uma sucessão de eventos que desembocaram no nascimento do maior país do mundo", segundo o site millionteabags. com, idealizador da iniciativa.

"É por isso que no dia 15 de abril, vamos despejar um milhão de saquinhos de chá na capital", acrescenta o site.

A administração Obama "não tem uma oposição forte, sobretudo em matéria de economia, um tema que os republicanos parecem dominar muito pouco", escreveu Paul Krugman em coluna no New York Times.

Estes "tea parties" podem ajudar os republicanos a medirem sua popularidade no país. Entretanto, a ideia de enviar sachês de chá não deve vingar, principalmente por causas das medidas de segurança, destaca o blog conservador RightKlik. Segundo o blog, há poucas chances de que envelopes contendo pó preto possam chegar aos parlamentares, e o "chá da revolta" pode acabar no lixo.

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