Adolescentes resgatadas em rancho no Texas estão grávidas

Documentos divulgados pela Justiça dos Estados Unidos nesta terça-feira apontam que o rancho de uma seita poligâmica no Texas, onde 416 crianças e adolescentes foram resgatadas no início da semana, era palco de abusos sexuais de menores. As meninas eram obrigadas a se casarem e a manterem relações sexuais com homens mais velhos ¿com o propósito de ter filhos¿. Algumas delas, já adolescentes, estão grávidas.

Redação com AP |

Além das crianças, que estão sob a guarda do Estado, 139 mulheres abandonaram voluntariamente o local depois que a polícia recebeu uma denúncia de que uma adolescente teria sido obrigada a casar com um homem de 50 anos, com quem teve um filho. O local pertence a uma seita que se separou da religião mórmon e que tem relação com o líder polígamo Warren Jeffs, detido desde novembro.

Segundo os documentos apresentados na Corte de San Angelo, as mulheres eram obrigadas a casar "espiritualmente" com homens muito mais velhos assim que elas alcançavam a puberdade. O texto afirma ainda que muitas das meninas que deixaram o local nesta semana estão grávidas e que as crianças foram levadas porque corriam o perigo de sofrer "abusos sexuais, emocionais e físicos".

Segundo o investigador Lynn McFadden, foi constatado que muitas das meninas que moravam no rancho eram obrigadas a manter atividades sexuais com adultos, uma vez que eram casadas "espiritualmente" com eles. Ele indicou ainda que se exigia na propriedade que elas tivessem muitos filhos e rapidamente.

Uma chamada feita de um telefone celular por uma menina de 16 anos foi responsável pela denúncia que revelou o rancho. Ela afirmou que não era permitido deixar o local, a não ser que estivesse doente e que seu marido de 50 anos a espancava, além de agredir a mulher que cuidava de seu bebê. As autoridades emitiram uma ordem de prisão para um dos líderes da seita, identificado como Dale Barlow.

A investigação é a mais recente a respeito da polígama Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Últimos Dias. Em novembro, o líder espiritual da seita Warren Jeffs foi condenado por uma corte de Utah a 10 anos de prisão por ser cúmplice do estupro, ao forçar uma menina de 14 anos a se casar com o primo dela, de 19 anos. Ele está preso no Arizona, à espera de julgamento por acusações similares no Estado.

A seita, que tem cerca de 10 mil seguidores e domina as cidades de Colorado City, no Arizona, e Hildale, em Utah, é uma dissidência da igreja Mórmon. Os integrantes da seita acreditam que o homem precisa casar com pelo menos três mulheres para subir ao céu. As mulheres, por sua vez, são ensinadas que seu caminho para o céu é a subserviência ao marido.

A poligamia é ilegal nos Estados Unidos, mas as autoridades relutam em enfrentar a FLDS por medo de provocar uma tragédia similar à que aconteceu em 1993 na sede da seita Ramo Davidiano, em Waco, no Texas, quando 80 fiéis morreram em choques com a polícia.

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