Adoção estrangeira de haitianos deve ser último recurso, diz ONU

GENEBRA (Reuters) - Órfãos e crianças abandonadas no Haiti após o terremoto devastador devem ser adotados no exterior apenas como último recurso, disse o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na terça-feira. O Unicef está tentando identificar e registrar crianças que vagam desacompanhadas pelas ruas caóticas da capital Porto Príncipe, cujos pais morreram ou estão desaparecidos desde o terremoto, ocorrido há uma semana.

Reuters |

Os Estados Unidos delinearam procedimentos especiais para parte dos órfãos haitianos. A porta-voz do Unicef, Veronique Taveau, afirmou que a agência teme a ocorrência de tráfico de crianças.

"A posição do Unicef sempre foi a de que, qualquer que seja a situação humanitária, a reunificação familiar deve ser favorecida", disse Taveau numa entrevista coletiva.

Se os pais morreram ou estão desaparecidos, devem ser feitos esforços para reunir a criança ao restante de sua família, incluindo avós, afirmou ela. Uma criança deve "permanecer, na medida do possível, no seu país de nascimento".

"O último recurso é a adoção inter-países", afirmou Taveau.

Antes do terremoto, 48 por cento da população do Haiti tinha menos de 18 anos, de acordo com a agência.

O Unicef também informou relatos de violência contra crianças haitianas depois do terremoto, mas não forneceu detalhes.

"Nesse tipo de emergência, as crianças infelizmente são as mais vulneráveis, especialmente as que foram abandonadas", disse Veronique Taveau. "Tememos que possa ocorrer tráfico de crianças".

Os EUA vão permitir temporariamente a entrada de crianças órfãs do Haiti para que recebam tratamento", disse a Secretária de Segurança Interna dos EUA, Janet Napolitano, na segunda-feira.

O Canadá anunciou que aceleraria o processo de inscritos para imigração provenientes do Haiti que têm parentes canadenses. Haitianos temporariamente no Canadá terão permissão para estender a estada e casos de adoção pendentes terão prioridade.

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