Washington, 27 abr (EFE).- A Administração do presidente dos Estados Unidos, George W.

Bush, aprova a utilização, por parte dos serviços de inteligência, de métodos de interrogatório proibidos pelas leis internacionais na luta contra os terroristas, informou hoje o jornal americano "The New York Times".

De acordo com a publicação, esse aval foi comunicado ao Congresso em "cartas recentes que esclarecem sobre as regras ainda secretas para os interrogatórios realizados pela Agência Central de Inteligência (CIA)".

As Convenções de Genebra sobre o tratamento dos prisioneiros de guerra proíbem "abusos da dignidade pessoal", mas uma carta enviada em 5 de março pelo Departamento de Justiça americano ao Congresso "deixa claro que a Administração não traçou uma linha clara sobre quais são os métodos de interrogatório que violam essa norma".

A Administração Bush, segundo o "New York Times", "se reserva o direito de tomar decisões caso a caso".

"O fato de uma ação ser realizada para prevenir um ataque terrorista, mais do que com o propósito de humilhação ou abuso, seria relevante na determinação de quão abusiva foi essa ação", escreveu Brian Benczkowski, do Departamento de Justiça.

Desde o começo de sua "guerra global contra o terrorismo" em 2001, a Administração Bush foi alvo de críticas pelas prisões sem amparo legal, pela transferência clandestina de prisioneiros de um país para outro, e pelos métodos de interrogatório que incluem privação de sono, insultos, ameaças, drogas e simulações de asfixia com água.

Em julho, Bush deu ordens de restrição ao uso de métodos de interrogatório, mas essas normas não se tornaram públicas.

Segundo declaração de uma fonte do Congresso ao "New York Times", a ordem de Bush proíbe, por exemplo, que se force uma pessoa a atos sexuais ou que seja ameaçada com mutilação sexual.

"No entanto, a ordem não diz que técnicas ainda são permitidas", acrescentou. EFE jab/wr/fb

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